Como seduzir um homem

É inevitável se distanciar dos amigos que a gente conhece na infância/adolescência?

2020.11.23 02:14 lost_highway333 É inevitável se distanciar dos amigos que a gente conhece na infância/adolescência?

Parece que quanto mais a gente envelhece, mais vamos nos distanciando e diferenciando dos nossos amigos antigos.
Conforme eu envelhecia (23 anos agora), acabei tendo atritos com alguns amigos, perdendo interesses em comum com outros...até que me restou somente um amigo(considerando que eu simplesmente não tenho mais habilidade de desenvolver novas amizades). Eu gosto bastante dele, mas tenho sentido que nossa sintonia está acabando, ao ponto de parecer que nós iremos, inevitavelmente, se distanciar.
Chega a ser até um pouco estressante, pq parece que ele simplesmente não saiu da adolescência. Eu vejo ele falando 95% do tempo em beber, nos caras com que ele quer marcar encontro, na baladinha que ele foi com a fulana de tal. O problema não é falar sobre isso, são coisas da vida, a questão é que fica subentendido uma certa superioridade, um sentimento de que ele é cool por viver assim.
Além disso, eu vejo um anseio de ser uma pessoa extremamente atraente, tão atraente que se torna irresistível. É como se o valor dele se pautasse puramente no âmbito sexual, gerando uma certa frustração nele, por não alcançar esse padrão inexistente (ele tem problemas de autoestima).
As "amizades" que ele vem arranjando são pessoas que só puxam ele pra baixo (famoso amigo/a de bar e baladinha) e reforçam esse ideal de que o valor de alguém está na capacidade de sedução e que beber (e usar outras drogas) é algo maneiro. Então ele só vai emergindo cada vez mais nesse pensamento. Parece que a vida dele gira em torno disso: seduzir homem e beber.
Eu gosto bastante dele, não queria perder essa relação que nós temos, mas tem ficado cada vez mais cansativo. Parece que ele não vai sair desse estado adolescente nunca.
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2020.08.10 10:33 d_sandstrom RAÇAS [MASTERPOST]

RAÇAS [MASTERPOST]
EU NÃO ACHEI QUE EU CONSEGUIRIA AINDA ESSE MÊS, MAS EU CONSEGUI, ENTÃO, POR FAVOR, DÊEM FEEDBACKS.
E AQUI ESTÁ O MANUAL COMPLETO DE RAÇAS DE PLURALYIAH.
Tem alguns desenhos, e todos feitos por mim.
SUMÁRIO
  1. ALLIGATOR
  2. ANÃO
  3. ATLANTE
  4. BOTO-COR-DE-ROSA
  5. BISEÉ (MEIO BISÃO VOADOR)
  6. CURUPIRA
  7. ELFO (tem arte)
  8. ELFO DO CÉU
  9. ELFO GÉLIDO
  10. ELFO NEGRO (tem arte)
  11. FE-ÉRY
  12. FEITHNARI (tem arte)
  13. FINTROLL
  14. PARVUS
  15. HUMANO
  16. MAGMARÉU
  17. MEDUSA
  18. MEFITE (tem arte)
  19. MINOTAURO
  20. REPTILIANES
  21. GEENY
  22. SEREIA/TRITÃO
  23. REPROBI

Anão
Uma das raças fundadoras de Pluralyiah, disputava em números junto com Elfos até que humanos começaram a se espalhar como uma praga, sendo filhos de várias misturas e raças.
Habilidades de Raça
+3 Carisma, +3 Perspicácia; tamanho menor
MÃOS GENTIS
Você adiciona seu modificador de carisma ou perspicácia em testes de Ladinagem e Furtividade, essa escolha deve ser feita assim que a ficha estiver pronta.
AFÁVEL
Como criador e fundador da maior parte dos continentes, você consegue entender qualquer língua humanoide do mundo material de Pluralyiah.
FORTE COMO UMA FORMIGA
Você consegue carregar até 6x o seu próprio peso.
ENGENHOSO
Você consegue entender o funcionamento de qualquer engenhoca não-mágica gastando duas horas observando-a, mesmo sem tocá-la.

Atlante
Habilidades de Raça
+2 Força, +2 Perspicácia, +2 Agilidade -2 Constituição
Uma raça vinda de pessoas que moravam em ilhas que acabaram se afundando pouco a pouco, forçando-os a passar cada vez menos tempo na água e se relacionando mais com sereias do que com sues próprias espécies. SIM, SUES, ESSA RAÇA É UMA MISTURA DE QUALQUER RAÇA TERRENA COM SEREIAS E TRITÕES.
MESTRE DOS MARES
Você pode utilizar a magia Compreender Idiomas em qualquer criatura aquática com modificador de inteligência superior a 2, além disso, enxerga completamente em escuridão, incluindo camuflagem total por até 32M
CORPO FLUIDO
O veneno se espalha pelo seu organismo como se espalha pelo oceano, tem penalidade 3 em envenenamento, e como no oceano se dissipa em você, tendo sua duração reduzida pela metade em efeitos negativos de envenenamento.
OSCILAR
Seus ancestrais passavam a vida lutando nas águas, então, fora delas, seus ataques têm mais poder e pressão. Pode nadar com deslocamento de 14m e envenenar suas garras para usá-las como ataque natural numa quantidade de vezes por dia igual a 1+ o seu modificador de constituição.
LUTA LIVRE
Quanto mais aquodinâmicas as armas, melhores. Recebe +2 de dano e em
rolagens de dano com azagaias, lanças e tridentes, além disso, para você essas são consideradas armas intuitivas.

BOTO-COR-DE-ROSA
Habilidades de Raça
+4 de bônus em carisma, +2 em agilidade, -2 em força
Uma nova criação do acasalamento de Atlantes e Sereias/Tritões. Estes são a culpa do mito de mulheres que, após um dia de descanso na praia, aparecem grávidas de um homem que pulou nos mares/rios e muitas vezes sumiu, jamais sendo visto novamente.
HUMANO QUASE COMPLETO
Você ganha um uso da magia seduzir em qualquer raça, gênero ou etnia, para resistir, e alve deve passar em um teste de CD15 (+ o modificador de carisma de conjuradore). Caso e alve falhe no teste, atenderá a qualquer pedido cortês, lascivo ou carnal de conjuradore por duas horas. Uso limitado à atividade de seduzir. Caso e alve seja bem-sucedido, saberá que e conjuradore tentou lançar uma magia, mas isso não limita sua reação, talvez ele já quisesse algo com e conjuradore.
DROGA, UMA BARBATANA
Essa criatura deve fazer um teste de vontade toda vez que entrar na água para não virar um boto, e toda vez que sair da água para não virar um humano – a não ser que essa seja sua vontade. É um teste de Constituição de CD13.
CARISMÁTICO
Como um bom boto sedutor, você recebe +5 em testes de diplomacia, cortejo, flerte e enganação, além de sua velocidade de deslocamento aumentar em 3m, na água sua velocidade de deslocamento aumenta em 15m.
BOTO VELOZ
Sua velocidade de deslocamento aumenta em 3m, na água sua velocidade de deslocamento aumenta em 15m.

BISEÉ (MEIO BISÃO VOADOR)
Habilidades de Raça
+4 força, +2 constituição, -2 perspicácia
Biseés costumam ser tímidos, mas isso não é uma regra, só se sentem inferiores em aparência em relação às demais raças, por mais que muitos o achem fofos. É comum pessoas quererem adotarem Biseés, e isso os incomoda.
HERANÇA DO BISÃO VOADOR
Você é tem sangue de Bisão voador, por isso recebendo o nome de Biseé (se pronuncia bizí). Sua pele é coberta por pelagem e você tem pequenos chifres acima das sobrancelhas, além de uma cauda achatada.
+2 em jogadas de ataque para atropelar e empurrar.
+4 em jogadas de ataque (em vez de +2) quando faz investidas.
ARMA NATURAL
Você tem chifres e pode executar um ataque adicional por rodada com os chifres ou um giro batendo com a cauda causando 1d6 de dano, mas sofre penalidade de –2 em todos os ataques (incluindo este). Atacar com a causa exige uma ação de movimento livre e empurra inimigos para 3m de você.
VÔO MÁGICO
Sua cauda é uma herança mágica, há uma crença de que apenas com ela é possível que um Biseé levante voo, sendo um instinto batê-la no chão para levantar voo mágico, mas isso não é verdade. Todavia, um Biseé consegue levantar vôo tendo 1m livre atrás de si, podendo voar até 15m acima do chão.
AMASSAR
Sua cauda consegue quebrar ou amassar qualquer objeto que não seja composto por materiais preciosos de até tamanho médio.

CURUPIRA
Habilidades de Raça
+3 perspicácia, +3 agilidade, -2 constituição
Curupiras são protetores da mata, muito ágeis e sábios, sempre pregando peças em quem tenta machucar a natureza e muito amigo de tudo o que é vivo.
BOM FRUTO
Você consegue achar qualquer coisa boa para se alimentar na natureza, e reconhecer instintivamente se algo está envenenado.
IRRASTREÁVEL?
A anatomia dos seus pés funciona para o lado contrário da anatomia humana, sendo assim, para te rastrear, e rastreadore tem que fazer um teste de CD 15 (+ o modificador de agilidade de curupira)
EMPATIA ANIMAL
Não precisa realizar testes para adestrar ou montar em animais.
CORRA, CURUPIRA, CORRA!
Sua velocidade de deslocamento aumenta em +6m.

Elfo

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Habilidades de Raça
+2 em carisma, +4 em perspicácia, -2 força
FLUIDEZ CORPÓREA
Você sabe dançar qualquer coisa – muito bem, usar espadas curtas, espadas longas, floretes e arcos (curtos, longos e compostos), recebendo Treino em Arma em duas dessas armas sem consumir seus pontos de talento. A escolha das duas armas deve acontecer antes de a ficha ser finalizada e não pode ser modificada.
O QUE VEM DE MAGO NÃO ME ATINGE
A herança mágica corre em suas veias, recebe +4 em testes para resistir à magia e sofre 2 a menos de dano por magia arcana.
MAGIA METALÓGICA
A magia pra você é uma ciência, e uma vez dominada, é uma faca de dois gumes. Suas magias aumentam todos os efeitos numéricos em 6 – incluindo se você for afetado pela própria magia, além disso, consegue lançar as magias Esferas Luzentes, Sono e Pasmar ainda que não pertença a uma classe arcana.
AURA MÁGICA
O dobro do seu modificador de perspicácia é igual à sua EM se não for treinado numa classe arcana. Caso pertença a uma classe arcana, apenas seu modificador de perspicácia se soma à sua PM, e não o dobro.

Elfo do Céu
Habilidades de Raça
-2 Carisma, +2 Agilidade, +4 Força
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.
ELFO... DO CÉU!
Você tem asas de 1,5m e pode voar com o dobro do seu deslocamento terreno. Para lançar vôo, você precisa estar entre o espaço livre de 3m em quaisquer direções paralelas (norte-sul/leste-oeste... etc). Você pode dormir enquanto voa e voar não te causa cansaço ou impede de utilizar armas. Recebe penalidade 2 para andar em terreno difícil além da penalidade coum.
ANJO QUASE-SEM ASAS
Você pode lançar a magia ilusão em uma quantidade de vezes por dia igual ao seu modificador de Carisma +1 para esconder suas asas.
VIGILANTE
Você não precisa dormir, e consegue se recuperar completamente em vida e PM meditando por 3h, no entanto, isso te faz pouco sociável devido ao estresse por privação de sono.

ELFO GÉLIDO
Habilidades de Raça
+4 em constituição, +2 em força, -2 carisma
LUTA LIVRE
Quanto mais aquodinâmicas as armas, melhores. Recebe +2 de dano e em
rolagens de dano com azagaias, lanças e tridentes, além disso, para você essas são consideradas armas intuitivas.
CORAÇÃO DE GELO
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil quando esse terreno é gelo, neve, ou terreno frio; NA VERDADE, você ganha 3m de velocidade de deslocamento nesses terrenos e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Você não precisa esquentar frutos do mar para comer e nem se agasalhar no frio.
CICATRIZAR
O gelo também é muito eficaz para cicatrizar feridas, e pela adaptação élfica, você é capaz de escolher uma parte do seu corpo por ação de movimento para ser cicatrizada e curar 1d4 de vida – você não pode utilizar essa habilidade se não estiver sob efeito de sangramento a não ser que tenha acabado de ser ferido por até 5 de suas ações de movimento anteriores ao uso dessa habilidade.
Partes do corpo para se concentrar: Mãos, Antebraços, Bíceps, Peitoral, Abdome, Costas, Cintura, Coxa, Canela, Panturrilha, Pés, Pescoço, Cabeça, Região entre-ombros.
VISÃO PERFEITA
Acostumade a ter épocas de penumbra distantes das épocas de Sol, sua visão se adapta facilmente a qualquer claridade – ou à falta dela. Você enxerga qualquer coisa que não esteja sendo bloqueada da sua visão em linha reta num raio de 32m

ELFO NEGRO
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+2 em constituição, +2 em agilidade, +2 carisma, -2 em uma habilidade à sua escolha
A CURA PELA DOR
Você pode cauterizar qualquer ferimento utilizando uma ação de movimento – tanto seus quanto de outras criaturas vivas. Role 1d2 (metade de 1d4) de dano, a criatura deve estar disposta a sofrer o resultado em troca do estancamento daquela região. Se a criatura não morrer, ela cura 1d4 de vida.
CORAÇÃO SOLAR
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil quando esse terreno é neve, brasa, ou terrenos vulcânicos; NA VERDADE, você ganha 3m de velocidade de deslocamento nesses terrenos e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Você não precisa se proteger do calor e consegue esquentar qualquer condimento utilizando de sua concentração nas mãos.
VIGILANTE ETERNO
O sol te vitaliza, ficar por três horas no Sol, sem entrar em sombras, recupera sua vida e sua Essência Mágica como se tivesse entrado em sono profundo. Você pode ficar acordado pra sempre se for inteligente.
SÍSMICO
Você consegue rastrear qualquer criatura que esteja sob o mesmo solo que você a 12m.

Fe-éry
Habilidades de Raça
+2 carisma, +2 agilidade, +2 perspicácia, -2 força
AGORA VOCÊ ME VÊ...-
Seu tamanho torna fácil se esgueirar, espiar e se esconder. Você recebe +5 em testes de furtividade e ladinagem.
PÓ DE FE-ÉRY
Pode lançar a magia Leque Cromático OU Levitação por uma quantidade de vezes igual a 1+ metade arredondada para inferior do seu modificador de Carisma. Uma vez no dia feita essa escolha, só poderá ser modificada após dormir.
ZUUUMMM...
Você tem asas de 60cm, seu tamanho não pode ultrapassar 1m, e pode voar com o dobro do seu deslocamento terreno. Para lançar vôo, você precisa estar entre o espaço livre de 60cm em quaisquer direções paralelas (norte-sul/leste-oeste... etc). Você pode dormir enquanto voa e voar não te causa cansaço ou impede de utilizar armas.
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.

Feithnari
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Habilidades de Raça
+4 perspicácia, +2 força, -2 perspicácia
ESVOEJAR
Recebe Classe de Armadura +7, seu corpo é envolvido por plumagem de penas de protegem e envolvem todo o seu corpo, suas asas são resistentes e rápidas o suficiente para impedir muitos ataques.
POUSO LEVE
Deslocamento base 6m, pode voar com o triplo de seu deslocamento terreno e se sustentar em armas, cordas, fios, rochas e telhados sem penalidades por terreno difícil. Está constantemente sob efeito do talento Queda Suave, mesmo com as asas presas.
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.
ARMAS NATURAIS
Possui garras afiadas no lugar das unhas e bico afiado sensível à polaridade do Globo Pluralyiano no lugar da boca, tem bônus +3 para teste de acerto com bico e garras, se acertar, causa 2d4+4 de dano perfurante, sempre sabe pra que direção é o norte, sul, leste e oeste, mesmo se estiver prese em locais fechados.

Fintroll
Habilidades de Raça
+6 perspicácia
CASA É TODO LUGAR
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil – o que não significa que você não sinta penalidade por ser exposte a frio ou calor contínuos, e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Não pode entrar em combustão ou chamas, sua pele é como couro ou folha verde.
COMER COGUMELOS
Você consegue identificar se qualquer comida ou bebida é tóxica ou não fazendo uma observação de 15min. Você não precisa tocar, mas precisa interpretar algo que faça metalógica durante o processo.
LÍNGUA UNIVERSAL
Consegue conversar com qualquer criatura com modificador de inteligência superior a 1 em qualquer língua, possuindo +5 em testes de Diplomacia.
ENRAIZAR
Se estiver a pelo menos 32m de alguma planta, pode conjurar a magia ENRAIZAR em uma quantidade de vezes por dia igual ao seu modificador de perspicácia sem gastar EM. O alvo tem direito a teste de Reflexos para resistir.

Parvus
Habilidades de Raça
+6 de bonus em atributos, 2 de penalidade em um atributo
FLUIDEZ CORPÓREA
Você sabe dançar e tocar qualquer coisa – muito bem, usar floretes-agulha, espadas longas, floretes e arcos (curtos, longos e compostos), recebendo Treino em Arma em duas dessas armas sem consumir seus pontos de talento. A escolha das duas armas deve acontecer antes de a ficha ser finalizada e não pode ser modificada.
SORTUDO
Você recebe, por uma quantidade por dia igual ao seu modificador de carisma, a chance de usar sua sorte em qualquer teste. O uso deve ser anunciado antes da rolagem dos dados. Sua sorte é de 4+1 por nível (incluindo o nível 1, no qual sua sorte é 5)
ATLETA
Para Parvus, a perícia Atletismo não é baseada em Força, mas em Agilidade.
ENGENHOSO
Você consegue entender o funcionamento de qualquer engenhoca não-mágica gastando duas horas observando-a, mesmo sem tocá-la.

Humano
Habilidades de Raça
+2 em 3 atributos à sua escolha
3 talentos adicionais à escolha do jogador.
2 perícias treinadas extras, que não precisam ser escolhidas entre suas perícias de classe. Caso escolha o talento Herança, você pode pegar uma habilidade racial de qualquer raça de Pluralyiah.
ADAPTAÇÃO
Você tem +7 em testes para aprender qualquer coisa.

Você recebe o talento Poder Concedido, mas uma divindade deve ser adotada como sua padroeira.

MAGMARÉU
Habilidades de Raça
+3 constituição, +3 força, -2 agilidade
Magmaréu são criaturas filhes de elementais do fogo, seu toque é capaz de queimar, seu andar capaz de derreter a neve. Magmaréis são resistentes e fortes, mas pouco ágeis.
CORPO REVESTIDO
Você ganha +7 de classe de armadura, sua pele é revestida por magma. Você é imune a dano de calor, fogo, e lava.
TOQUE AQUECEDOR
Você pode, por uma quantidade igual ao seu modificador de Constituição por dia, expelir partículas de magma em inimigues que causam 1d6 de dano, você também pode utilizar disso para acender fogueiras
EXPLOSÃO MAGMIFICENTE
Ao desmaiar por dano provindo de um ataque inimigo, emana uma explosão gélida de 9m que causa 1d20 de dano em quem estiver em volta, aliados tem direito a uma ação bônus para tentar escapar
FOGO AMIGO
Pode transformar seu corpo em magma resfriado para poder conviver com humanos numa quantidade de vezes igual ao seu modificador de constituição por dia

Medusa
Habilidades de Raça
+4 perspicácia, +2 agilidade, -2 carisma
Medusas são criaturas com cobras no lugar de suas cabeças, muitos as temem pelas Medusas anciãs, capazes de transformar inimigues em pedra
OLHOS POR TODA PARTE
Você e suas serpentes conseguem enxergar por 15m em 360º, mesmo no escuro, mas não ignoram camuflagem total.
OLHAR PARALISANTE
Por uma quantidade de modificador de Carisma +1 por dia, você pode, como uma ação completa, se estiver olhando nos olhos do alvo, deixar o alvo sob efeito de Encanto. A partir do nível 9, a criaturas de 1d10 níveis são petrificadas se estiverem olhando para você. Recebe +5 em testes de intimidação.
MEIO-ANIMAL
Você consegue falar qualquer língua elemental ou silvestre. Seu deslocamento aumenta em 3m.
ATAQUE NATURAL
As serpentes de sua cabeça podem, utilizando uma ação de movimento, atacar, causando 1d6 de envenenamento + 1d6 de dano perfurante com suas presas. Utilizar esse ataque penaliza suas jogadas de ataque no mesmo turno em -2.

MEFITE
https://preview.redd.it/jvon7oz8y4g51.png?width=567&format=png&auto=webp&s=4f3982e99a0d4d11578086ff56182d2c8da946e9
Habilidades de Raça
+3 força, +3 agilidade, -2 carisma
Mefites são criaturas do tipo MONSTRO, magias que só afetam humanes não tem efeito sobre Mefites.
ALMA GÉLIDA
Você é imune a afogamento e dano de gelo/frio, tem penalidade 3 em dano de calovapocombustão, mas não entra em chamas ou combustão por ter uma pele membranosa.
ASAS FRESCAS
NÃO PODE VOAR ACIMA DE 3M, MAS PODE PLANAR EM QUALQUER ALTURA.
LUFO GLACIAL
Pode, por uma quantidade igual ao seu modificador de Carisma/dia, lançar LUFO GLACIAL, uma magia em área de cone de 6m que causa 5+2d4 de dano frio. Um teste de reflexos pode ser realizado para levar apenas 5 de dano. Ao desmaiar por dano provindo de um ataque inimigo, emana uma explosão gélida de 9m que causa 1d20 de dano em quem estiver em volta, aliados tem direito a uma ação bônus para tentar escapar
ATAQUE NATURAL
Possui mãos com membranas entre dedos e garras no lugar das unhas, tem bônus +3 para teste de acerto, se acertar, causa 1d4+1 de dano físico e 1d4+2 de dano de frio/gelo.

Minotauro
Habilidades de Raça
+5 força, +3 agilidade, -4 perspicácia
Definitivamente a raça mais brigona de Pluralyiah, E ELES SÃO BONS NISSO.
MEU DIÁLOGO É NA BASE DA PORRADA
+7 em qualquer jogada de ataque físico, +2 em classe de armadura, sua pele é feita de couro rígido.
É QUE EU SOU MEIO TOURO
Medo de altura. Caso tenha que subir qualquer altura superior a 3m (ou se estiver a até 3m de uma queda desta altura), um minotauro sofre penalidade de -4 em suas jogadas e testes. Ele também não pode realizar nenhuma ação que dependa de concentração, como conjurar magias ou ler.
TO SENTINDO UMA TRETA...
+6 em testes para rastrear com faro, +8 em testes para não se perder.
ARMA NATURAL
Você pode utilizar atropelar ou chifrar como ação completa, dobrando seu deslocamento durante a ação e causando 1d12 de ano, mas perdendo uma ação de movimento no próximo turno.

REPTILIANES
Habilidades de Raça
+2 em 3 atributos à sua escolha
Reptilianes são filhes de raças meio-humanas que, ao longo dos milênios, evoluíram para uma raça forte e independente.
PENALIDADE: SEM PERNAS
Você não pode cavalgar ou usar armadura completa, apenas a parte de cima, mas sua cauda admite que sua velocidade de deslocamento base seja de 13m.
ARMADURA ERRANTE
Reptilianes recebem +4 de classe de armadura, sua pele é feita de couro rígido, mas seu deslocamento diminui em 3m em terrenos gélidos. Você ganha +5 em testes para resistir a venenos.
ARMA NATURAL
Reptilianes têm uma arma natural de cauda (dano 1d6, esmagamento). Ume reptiliane pode atacar com a cauda e armas na mesma rodada, mas sofre uma penalidade de –2 em todas as jogadas de ataque. Além disso, você pode gastar uma ação padrão para usar sua cauda como uma espécie de mola e pular até 2m de altura sem receber dano por queda, tendo também +6 em testes de escalagem.
QUATRO BRAÇOS
Autodescritivo. Você tem quatro braços. Isso não te da mais ações, apenas te permite carregar mais coisas.

Geeny
Habilidades de Raça
+4 carisma, +2 agilidade, -2 força
Você é um filho da magia, e tem clara aptidão para isso. Além disso, é muito sociável e se esgueira por qualquer conversa, sendo assim, brigar não é o seu forte. AH! Geenies não gostam de muita roupa, pouca roupa facilita o vôo.
MARCA ARCANA
Você tem uma espécie de símbolo arcano em alguma parte de seu corpo, indicando sua origem mágica.
FILHO DA MAGIA
Pode lançar a magia Leque Cromático OU Transmutação Arcana por uma quantidade de vezes igual a 1+ metade arredondada para inferior do seu modificador de Carisma. Uma vez no dia feita essa escolha, só poderá ser modificada após dormir.
MEU HOBBIE? EU VÔO ÀS VEZES
Geenies podem lançar vôo por uma quantidade de vezes igual a 1+ seu modificador de agilidade por dia. Pousar ao chão te tira uma quantidade de vôo. Você está sempre sob o efeito do talento Queda Suave.
FAÇA-ME UM PEDIDO
Mesmo não pertencendo a uma classe conjuradora, Geenies podem lançar qualquer magia como se pertencesse a uma classe arcana, incluindo níveis: mas alguém precisa pedir. Caso já pertença à uma classe conjuradora, você não gasta EM para lançar essas magias, mas só pode lançar magias do nível de conjurador. Isso só pode ser feito duas vezes por dia, e o pedido pode ser negado.
ISSO É... MÁGICA?
Geenies sempre sabem quando um objeto ou lugar tem magia sem precisar de um teste para identificar magia, mas precisam lançar um teste de identifica magia para saber qual é a magia, tem +5 de bônus para realizar esse tipo de teste.

Sereia/tritão
Habilidades de Raça
+3 carisma, +3 agilidade
MESTRE DOS MARES
Você pode utilizar a magia Compreender Idiomas em qualquer criatura aquática com modificador de inteligência superior a 2, além disso, enxerga completamente em escuridão, incluindo camuflagem total por até 32M
ENCANTO
Você ganha um uso da magia seduzir em qualquer raça, gênero ou etnia, para resistir, e alve deve passar em um teste de CD15 (+ o modificador de carisma de conjuradore). Caso e alve falhe no teste, atenderá a qualquer pedido cortês, lascivo ou carnal de conjuradore por duas horas. Uso ilimitado por dia, mas uma vez utilizado em alguém e alve estará imune ao encanto por até acordar novamente.
OSCILAR
Seus ancestrais passavam a vida lutando nas águas, então, fora delas, seus ataques têm mais poder e pressão. Pode nadar com deslocamento de 14m e envenenar suas garras para usá-las como ataque natural numa quantidade de vezes por dia igual a 1+ o seu modificador de constituição.
LUTA LIVRE
Quanto mais aquodinâmicas as armas, melhores. Recebe +2 de dano e em
rolagens de dano com azagaias, lanças e tridentes, além disso, para você essas são consideradas armas intuitivas.

REPROBI
Habilidades de Raça
Superegóicos: +3 perspicácia, +3 agilidade
Idéicos: +3 carisma, +3 agilidade
Antes do nível 3: +2 agilidade, +2 agilidade, +2 carisma
Reprobi são filhos de divindades com humanos, o que não significa que sigam o que a sua divindade prega. Muitos, inclusive, são filhos revoltados por serem negados aos céus e ao inferno.
CANALIZAR DIVINDADE
Caso seja um Reprobi Superegóico, canaliza energia moral, caso seja um Reprobi Idéico, canaliza energia imoral. Tal energia cura criaturas de mesma energia em 1d10 e fere criaturas de energia diferente em 1d10. Isso gasta uma ação de toque completa e você pode se curar.
HERANÇA DIVINA
Chegando ao nível 3, você escolhe que lado seguir, egóico ou superegóico. Sua tendência não pode estar a mais que 3 alinhamentos de distância do lado escolhido, idéicos recebem asas etéreas brilhantes, superegóicos recebem asas etéreas negras. Você voa com o triplo de deslocamento de movimento em terra. Você pode negar seu lado divino e manter seus atributos normais, mas sem receber asas.
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.

Você recebe o talento Poder Concedido duas vezes, mas uma divindade deve ser adotada como sua padroeira.

ALLIGATOR
Habilidades de Raça
+4 agilidade, +2 força, -2 carisma
FEROZ
Recebe +5 em testes de intimidação e enganação, ninguém sabe o que esperar de ume Alligator. Além disso, pode fabricar lanças achando os componentes em 1d4 horas pra cada 10 lanças.
CASA É TODO LUGAR
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil – o que não significa que você não sinta penalidade por ser exposte a frio ou calor contínuos, e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Não pode entrar em combustão ou chamas, sua pele é como couro ou folha verde.
ATAQUE NATURAL
Reptilianes têm uma arma natural de cauda/garras (dano 1d6, esmagamento/perfurante). Ume reptiliane pode atacar com a cauda e armas na mesma rodada, mas sofre uma penalidade de –2 em todas as jogadas de ataque. Além disso, você pode gastar uma ação padrão para usar sua cauda como uma espécie de mola e pular até 2m de altura sem receber dano por queda, tendo também +6 em testes de escalagem.
DURO NA QUEDA
Reptilianes recebem +4 de classe de armadura, sua pele é feita de couro rígido, mas seu deslocamento diminui em 3m em terrenos gélidos. Você ganha +5 em testes para resistir a venenos.

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2020.08.03 04:51 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 5)

Stannis partiu para tomar Porto Real com seu exército de vira-casacas das Terras da Tempestade e uma espada mágica na bainha. Seus navios demoraram a chegar na Baía do Água Negra e ele teve que ficar acampado à margem sul do Rio. No dia do ataque, sua frota foi destruída pelo fogovivo, mas mesmo assim seu exército continuou a avançar.
Contudo, ao avistarem o “Fantasma de Renly” os pegar pela retaguarda, o exército se quebrou e seus homens da tempestade viraram a casaca novamente. Como disse Sor Dontos:
Stannis estava enfiado no rio até o pescoço, e apanharam-no pela retaguarda. Ah, ser de novo um cavaleiro, ter participado! Segundo dizem, seus homens quase não lutaram. Alguns fugiram, mas houve mais que se renderam e mudaram de lado, gritando por Lorde Renly! O que Stannis deve ter pensado quando ouviu aquilo! […] E sabe quem comandava a vanguarda? [...] Foi Lorde Renly! Lorde Renly em sua armadura verde […].
(ACOK, Sansa VII)
A pergunta de Sor Dontos é pertinente. Stannis presenciou com seus próprios olhos todas as dádivas de Melisandre se virando contra ele.
Os homens que se juntaram a ele após a morte de Renly haviam sido ganhos com truques e feitiços. Com as mortes misteriosas de Renly e Cortnay Penrose, o próprio Stannis havia lhes aberto os olhos para o poder da magia e os instigado a temer o desconhecido. Dessa forma, não é surpreendente que estes senhores tenham acreditado que Renly havia sido ressuscitado quando viram Sor Garlan Tyrell liderando a vanguarda disfarçado com a armadura do cunhado.
A astúcia de Mindinho para propor este truque foi imensa. Foi a combinação da sensibilidade de perceber que os senhores estavam inclinados em acreditar no sobrenatural, combinado com o fato de que a armadura de que a armadura era suficiente para o disfarce e que o corpo de Renly não havia sido visto por muitos, nem mesmo por Stannis:
Sor Cortnay Penrose detém o castelo em nome de Renly, e não quer acreditar que seu suserano está morto. Exige ver os restos mortais antes de abrir os portões, mas parece que o cadáver de Renly desapareceu inexplicavelmente. mais provável é que tenha sido levado.
(ACOK, Tyrion VIII)
A parte irônica da coisa é que Stannis era considerado como a maior ameaça por Tywin, o mesmo homem que julgava Robb Stark como um adversário fácil, mas que tomou Correrio através de um ataque falso no Ramo Verde. Ou seja, GRRM está nos mostrando como comandantes experientes como Stannis e Tywin sucumbem facilmente diante de adversários astutos, enquanto que eles olham para apenas a experiência um do outro como fator determinante na batalha.
Portanto, a Batalha do Água Negra deveria servir de grande lição para Stannis; para lhe abrir os olhos de que ele está servindo de fantoche para Melisandre? Bem, sim e não.
Por mais que se diga que Melisandre “o governa, no corpo e na alma”, que ela “o obrigou” a queimar o represeiro no bosque sagrado de Ponta Tempestade, e que o fez jurar que vai “queimar também o Grande Septo de Baelor se tomar a cidade” (ACOK, Sansa IV), o leitor sabe que tudo isso não passa de uma leitura intencionalmente equivocada dos eventos.
Sabemos que a parte sobre o Grande Septo foi inventada por Tyrion (ACOK, Tyrion XI). Por mais verossímil que pareça, Stannis não jurou nada.
Já dizer que ela obrigou Stannis a queimar o represeiro parece uma inversão. É muito mais provável que ela tenha requisitado e Stannis tenha atendido a um pequeno desejo da sacerdotisa que lhe deu 20 mil homens e Ponta Tempestade. Stannis não tinha Fé no Novos Deuses e não tinha razão alguma para cultuar o Antigos. Tendo já queimado as estátuas em Pedra do Dragão, o represeiro é mínimo. Estamos vendo o mesmo tipo de coisa com Victarion fazendo concessões à Moqorro em A Dança dos Dragões.
Quanto a governar o corpo e a alma de Stannis, isso parece altamente difícil mesmo antes do fracasso da batalha.
Por um lado, apesar de que a esta altura já existirem indícios fortes que Stannis esteja se deitando com Melisandre, a única modificação visível sofrida pelo Rei é ter ficado “meio cadavérico, anos mais velho” (ACOK, Davos II). Junte-se isso ao fato de que Cersei afirma que “teria mais esperança de seduzir seu cavalo” do que o próprio Stannis (ACOK, Sansa IV) e podemos ver que essa relações são mais fonte de sofrimento do que de dependência emocional.
Por outro lado, caso Stannis fosse controlado pro Melisandre, Stannis a traria para a Água Negra. Porém, na realidade, bastou que alguém perturbasse a vaidade de Stannis para que ela fosse despachada para Pedra do Dragão.
Seus capitães e vassalos tinham insistido que um campo de batalha não era lugar para uma mulher. Só os homens da rainha tinham manifestado opinião diferente, e não com grande vigor. Mesmo assim, o rei se mostrara propenso a não lhes dar ouvidos, até que Lorde Bryce Caron disse: – Vossa Graça, se a feiticeira estiver conosco, depois da batalha os homens dirão que a vitória foi dela, não sua. Dirão que deve a coroa aos seus feitiços – isso havia mudado a maré.
(ACOK, Davos III)
É interessante que, mesmo depois de realmente dever muito a Melisandre, Baratheon queira evitar que digam que os feitiços da mulher de Asshai foram quem lhe garantiu o trono… quando isso seria em grande parte verdadeiro.
Portanto, o Rei do Coração Flamejante aparantemente está ciente de que ter seu sucesso associado a Melisandre é danoso para sua reinvidicação. Afinal, caso no futuro a feiticeira venha a contestá-lo ou se aliar a outro, muitos senhores poderão retirar seu apoio arguindo que o poder de R’hllor é que faz o rei. “O poder reside onde os homens acreditam que reside”, hã?
De todo modo, o que Rprovavelmente pensou ao ver o Fantasma de Renly foi que a previsão de Melisandre que ele pensava ter evitado ao matar o irmão e o papel de tolo que ele fez ao tentar explicar seu funcionamento a Davos:
Melisandre também viu outro dia em suas chamas. Um amanhã em que Renly chegava do sul em sua armadura verde para esmagar minha tropa sob as muralhas de Porto Real. Se tivesse encontrado meu irmão lá, podia ter sido eu a morrer em seu lugar.
Ou podia ter juntado suas forças às dele para derrubar os Lannister – Davos argumentou. – E por que não? Se ela viu dois futuros, bem… não podem ser ambos verdadeiros.
Rei Stannis apontou um dedo para ele: – É aí que erra, Cavaleiro das Cebolas. Há luzes que lançam mais do que uma sombra. Ponha-se em frente da fogueira da noite e verá por si próprio. As chamas mudam e dançam, nunca estão quietas. As sombras crescem e encolhem, e cada homem lança uma dúzia. Algumas são mais tênues do que outras, é tudo. Pois bem, os homens lançam também as suas sombras sobre o futuro. Uma sombra ou muitas. Melisandre vê todas.
(ACOK, Davos II)
Assim, o Stannis que deixa a Baía da Água Negra é um homem mais atento e cético sobre as visões nas chamas e na capacidade de Melisandre de lê-las. Paradoxalmente, também é um homem que não pode culpá-la por seu insucesso, uma vez que a deixou para trás querendo sorver sozinho toda a glória. Portanto, a combinação é que ele sabe que R’hllor é uma ferramenta muito útil, mas que precisa ser usada mais criteriosamente.
Há mentiras e mentiras, mulher. Mesmo quando essas chamas falam a verdade, estão cheias de truques, parece-me.
(ASOS, Davos IV)
Isso nos leva ao convés do barco de Salladhor Saan nas horas que se seguiram à derrota no Água Negra. Rei Stannis tinha muito o que pensar. “A derrota é a morte para o medo”, como ele mesmo havia dito (ACOK, Davos II). Seu exército retraiu-se à apenas uma fração do que era antes e sua frota foi completamente perdida, salvo pelos navios do pirata em que ele não confia e não pode pagar (Saan). Sor Davos estava supostamente morto. Ele havia sacrificado uma parte de se mesmo para matar Renly e Cortnay para nada. Edric Storm se tornara inútil como prova de sua pretensão. E ele ainda teria que decidir o que fazer com Melisandre.
Melisandre sabe perfeitamente disto. Exatamente por isso que ela passa quase o livro seguinte inteiro tentando convencer Stannis de que suas promessas de poder são reais e suas previsões se concretizarão. Em A Fúria dos Reis, a conversão de Stannis acontece porque Melisandre anuncia que Stannis é a reencarnação de um herói lendário de sua religião. Mas em A Tormenta de Espadas ela pela primeira vez combina seus esoterismos com política.
Westeros tem de se unir sob seu único rei verdadeiro, o príncipe que foi prometido, Senhor de Pedra do Dragão e escolhido de R’hllor.
(ASOS, Davos IV)
Certamente este tipo de jogada foi feito pensando em suprir as necessidades de Stannis. Da mesma forma, agora que Stannis perdeu os exércitos que lhes foram dados por Melisandre, a sacerdotisa agora fala que para conquistar o reino, Stannis precisa de dragões como Aegon, e saca uma profecia do bolso, em que o sangue do rei tem os poderes de acordar dragões de pedra.
Com Edric Storm à disposição para ser sacrificado ao invés do próprio rei, fica fácil para Melisandre propor seu sacrifício, amarrando o nó de uma previsão anterior, cuja falta de detalhes parece significar que a feiticeira não tinha ideia do que estava vendo:
Eu preciso ter o rapaz, Davos. Preciso ter. Melisandre também viu isso nas chamas.
(ACOK, Davos II)
Porém, depois de matar até mesmo o irmão e ser derrotado pelo seu Fantasma, Stannis deve acreditar que o Senhor da Luz é demasiado ambíguo para ser confiado, mesmo quando o sacrifício “necessário” lhe pareça ínfimo.
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2020.07.25 04:25 YatoToshiro Ultradimension Games #5 - Mary Skelter: Nightmares


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Alice: Alice é membro das Blood Maidens. Nascida como uma Blood Maiden, Alice era capaz de matar Marchens com apenas as mãos nuas em tenra idade. Devido a essa habilidade e ao fato de seus olhos mudarem de cor quando ela é exposta ao sangue de Marchen, ela foi rotulada como um monstro e foi temida e abusada por seus colegas. Depois que Jack a protegeu de seus atormentadores, Alice formou um forte apego a ele. Quando Marchens atacou sua vila, Alice e Jack foram capturados e presos na área das ruas da cidade na cadeia.
Bom ela é a Protagonista do jogo então falar dela é spoiler.
Red Riding Hood Red Riding Hood é o primeiro e líder das Blood Maidens.
Ela é uma garota de sangue quente que corre pela prisão para cumprir sua missão, como demonstrado quando ela sai para salvar Alice. Devido ao seu comportamento ardente, porém imprudente, as pessoas ao seu redor às vezes entram em pânico.
Ela gosta de Jack por ter a coragem de enfrentar os habitantes de Jail e gosta de ter alguém para manipular.
Sua libido de sangue a inclina a usar algo sobre a cabeça. Ela se sente desconfortável com a ideia de que seu capuz seja rasgado ou arranhado e, se precisar removê-lo por razões como limpeza, sua frente confiante se deteriorará rapidamente.
Gretel: Uma jovem curiosa, mas o que não lhe interessa, encontra falta de emoção. Ela tem o hábito de falar sem visões morais.
Ela parece ter interesse em Jack, vendo-o como uma pessoa de boa índole. Por não ter bom senso, ela diz coisas que fazem até as Donzelas de Sangue se encolherem, mas ela parece bem com isso, e pode até gostar das reações deles.
Relacionamentos: Hansel: Hansel é seu irmão e o protetor de sua casa na área do dormitório. Embora ela não seja excessivamente expressiva do relacionamento deles, ela se sente genuinamente triste com a morte dele, a ponto de quase entrar no Blood Skelter.
Jack: Jack é um indivíduo incomumente gentil. Isso interessa a Gretel, pois ele relutou em lutar com Hansel com a revelação de seu relacionamento e a inteligência de Hansel. Ele também é um bom sujeito de teste sempre que ela tem uma poção ou experimento.
Alice: Enquanto Gretel vê Alice como uma camarada em "perceber o mundo com lógica" em oposição ao resto do "pensamento baseado em emoções" da Equipe Sangrenta, os dois frequentemente discutem, principalmente quando os valores de Gretel se chocam com o senso comum da sociedade.
Rapunzel: Rapunzel é frequentemente visto com algum tipo de comida, mas Gretel sempre parece seguir sempre que o primeiro tem doces de qualquer tipo. Gretel tem o hábito de encarar Rapunzel para forçá-la a comer doces.
Sleeping Beauty: A Sleeping Beauty é um membro das Blood Maidens, a irmã mais nova de Thumbelina e Snow White e aquele com o comportamento mais embaraçoso. Mais frequentemente, suas ações e comportamentos sem objetivo confundem Jack sem fim. Apesar disso, ela oferece a mão (e a extensão, os seios) a Jack quando ele precisa de ajuda. Ela raramente fala com palavras, freqüentemente balançando ou acenando com a cabeça em resposta ao que os outros dizem. No entanto, quando ela fala, sua voz soa sonolenta.
Snow White: É um membro das Blood Maidens e a irmã do meio de Thumbelina e Sleeping Beauty. Ela é uma pessoa gentil, tratando frequentemente as pessoas ao seu redor com a maior compaixão e cuidado. Ela fala com Jack - que geralmente está preocupado com as outras garotas - de uma maneira gentil e tenta ajudá-lo a realizar suas tarefas. No entanto, devido à sua natureza desajeitada, as coisas nem sempre correm como o planejado.
Por alguma razão, seja por sua falta de autoconfiança ou por causa e efeitos, ela tem medo de se olhar no espelho.
Thumbelina Thumbelina é membro das Blood Maidens e a irmã mais velha de Sleeping Beauty e Snow White. Ela se orgulha de ser a mais velha do grupo, muitas vezes sendo rigorosa com Jack e repreendendo-o. Mesmo nos momentos em que Jack realiza uma tarefa ou faz algo meritório, ela não pode elogiá-lo, o que faz com que ela pareça tímida às vezes.
Thumbelina pode ser melhor descrita como uma "tsundere", ou alguém que tende a se movimentar entre uma frente hostil e uma gentil, principalmente no que diz respeito a expressar qualquer tipo de sentimentos afetuosos.
Sua libido no sangue se manifesta como uma inclinação para se enroscar em um espaço pequeno por várias razões, do mal ao medo. Geralmente o primeiro, como sua personalidade tsundere resulta em ela ser incapaz de expressar seus sentimentos ou até mesmo colocar o pé na boca.
Relacionamentos Sleeping Beauty e Snow White: Como a mais velha das irmãs, Thumbelina se sente obrigada a mostrar seu melhor exemplo para que elas e todos os outros vejam.
Red Riding Hood: Embora a RRH possa ter a antiguidade como uma Blood Maiden do Amanhecer, Thumbelina se orgulha de ser a mais velha cronologicamente. Embora ela não se importe com a RRH por ser a irmã mais velha da Equipe de Sangue ou algo assim, ela não vai segurar a língua de alguém com antiguidade.
Jack: Como o único homem da equipe de sangue e um ativo valioso para evitar Blood Skelter, apesar de sua falta de capacidade de combate, Thumbelina tem alguns sentimentos confusos em relação a ter Jack por perto. A maior parte disso decorre de como Jack sempre parece entrar nas situações mais embaraçosas com as outras Donzelas de Sangue, embora ela fique particularmente irritada quando são suas irmãs que acabam nesse momento.
Rapunzel: Rapunzel é o membro mais jovem das Blood Maidens e é conhecida por suas longas tranças loiras. Ao encontrar Jack, ela assume que ele é a ração de emergência do grupo e passa a roê-lo. Apesar disso, Jack passa a cuidar dela e brincar com ela, fortalecendo ainda mais o vínculo deles.
O lugar favorito de Rapunzel para dormir é no peito da Bela Adormecida, com quem ela costuma ser vista dormindo.
Kaguya: Kaguya é um membro das Blood Maidens e é conhecida por sua atitude preguiçosa. Devido à sua personalidade letárgica, ela constantemente se esconde no quarto. Ela também monta um grande veículo chamado "Bamboo No.1" como um meio de se mover e lutar. Apesar disso, ela mal move seu próprio corpo e não luta até que suas demandas sejam atendidas.
Ela é magra por ser uma pessoa que não faz nada, mas suas roupas escondem uma figura significativamente dotada, para grande desgosto de garotas como Alice e Thumbelina.
Apesar de seu comportamento preguiçoso, ela pode - ou não - ter a capacidade de liberar o "Truant Seven Tools" de sua saia.
Sua imensa preguiça e fixação em tesouros é provavelmente o resultado de sua libido no sangue.
Jack: Jack é o principal protagonista de Mary Skelter: Nightmares. Ele é um Blood Youth, capaz de utilizar seu sangue para reverter os efeitos do sangue de Marchen nas Blood Maidens.
Jack é gentil, mas tímido, quase um capacho quando se trata de interações como as de Kaguya ou Thumbelina. Ele é propenso a crises de autodepreciação devido à sua falta de capacidade de contribuir para os esforços de Dawn. Há momentos em que ele se sente exasperado ou até um pouco irritado, principalmente quando se envolve em discussões entre as Donzelas de Sangue.
A libido de sangue de Jack se manifesta como um desejo de escalar lugares altos, o que no jogo se torna um desejo de subir a cadeia. Comparado com as outras Donzelas, essa Libido de Sangue não afeta abertamente a personalidade de Jack.
O comportamento prestativo e gentil de Jack permanece até como um pesadelo, embora isso seja parcialmente frustrado por sua aparência e seu discurso agora diminuído. Isso parece estar em desacordo com a sua natureza como um pesadelo, onde toda batalha é uma luta para Jack evitar atacar tudo. Enquanto as outras Donzelas de Sangue e personagens podem entender parcialmente seus murmúrios, apenas Otsuu parece ser capaz de entender o contexto completo do que Jack tenta dizer.
Jack parece ter se tornado um pouco confuso desde que se tornou um Pesadelo, ocasionalmente saindo da festa para pegar itens aleatórios, embora isso às vezes resulte em presentes que as Donzelas de Sangue desfrutam.
Relacionamentos: Alice: Após a infância e prisão em comum, Alice passou a ver Jack como mais ou menos o único motivo para continuar vivendo, quanto mais lutar por Dawn. Ela mostra uma tendência a se defender imediatamente quando os outros o atacam por várias ocorrências, exceto quando ela se envolve em uma discussão e Jack passa. Então ela insiste que Jack fique do lado dela da questão. Se Jack for ferido ou sequestrado, Alice será a primeira a ajudá-lo, para o bem e para o mal.
Red Riding Hood: Ela vê Jack como um irmão mais novo com algumas tripas sérias para desafiá-lo na Cadeia, embora ela acredite que ele tem o hábito de se meter em problemas.
Thumbelina: As relações de Thumbelina com Jack são um pouco complicadas, dado o grande número de vezes que ela testemunhou Jack no que pode ser descrito como eventos de "tarado sortudo" e sua propensão a (inadvertidamente) seduzir garotas. Ela admite que Jack tem seus momentos confiáveis.
Kaguya: Kaguya é inicialmente neutra para Jack, na melhor das hipóteses, dada sua falta de inclinação em relação a qualquer tipo de esforço ou interação social. Mais tarde, ele evolui (?) Para Kaguya vendo Jack como uma espécie de criado de plantão.
Gretel: Gretel vê Jack como um garoto extraordinariamente gentil, dada sua relutância em lutar contra Hansel. Ele também é um bom sujeito de teste sempre que ela tem uma hipótese ou poção para experimentar.
Rapunzel: Como a pessoa que alimenta seus doces, Rapunzel vê Jack como uma boa pessoa que lhe dá comida saborosa.
Hameln: Como a pessoa preciosa de sua "senhora" Alice, Hameln vê Jack como alguém que precisa de proteção.
Hameln: Hameln é impetuosa e barulhenta, referindo-se a si mesma como o Rei Demônio, embora seu insulto ocasionalmente atrapalhe suas palavras. Por alguma razão, ela se apega a Alice, chamando-a de "senhora" e cumprindo suas palavras com obediência gaguejante.
Hameln é mais ou menos um "personagem secreto", mas ela é obrigada a obter o True Ending para este jogo. Primeiro, Jack precisa fazer o Mary Gun Reverser, dando um motor hidráulico chique a Haru. Este evento está disponível apenas quando todas as Donzelas de Sangue baseadas no enredo tiverem sido recrutadas. Em seguida, o jogador deve ir a um ponto do evento que aparece na Área 3 das Ruas da Cidade. Isso leva à área da Caverna Subterrânea.
Ao entrar na caverna subterrânea, Hameln fica na entrada, sem vontade de sair do caminho. A festa percebe seus olhos rosados e tenta diplomacia, mas ela permanece calada e ataca. Depois de derrotá-la, Hameln não acredita na sua perda antes de se apresentar. Um breve argumento segue antes que Hameln se acalme rapidamente, depois responde às perguntas da festa dizendo que não há núcleos ou Pesadelos aqui. Gretel leva um momento para mexer com Hameln antes de ser parado por Alice. Hameln então declara que se tornará amiga de todos por uma questão de proteger Alice e se junta à festa.
_________________________________________________________ Curiosidades: Apesar disso ser OBVIO vou falar agora as referencias das personagens. Jack = João e o Pé de Feijão. Alice = Alice no País das Maravilhas Red Riding Hood = Chapeuzinho Vermelho Sleeping Beauty = Bela Dormecida Snow White = Branca de Neve Thumbelina = A Polegarzinha Gretel = Maria. No Brasil = João e Maria. Alemanha = Hansel und Gretel A versão Original de João e Maria.
Kaguya = Princesa Kaguya em Conto do Cortador de Bambu. Uma narrativa popular japonesa do século X,
Hameln = Hamelin (em alemão: Hameln) é uma cidade da Alemanha no estado de Baixa Saxônia (Niedersachsen), capital do distrito de Hamelin-Pyrmont. Hamelin é cortada pelo rio Weser e localiza-se na região de colinas (Weserbergland) muito procurada por turistas andarilhos e ciclistas
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2020.07.17 04:50 clathereum2 Contardo Calligaris, "Cartas a um jovem terapeuta", cap. IV, 2007

"Caro amigo,
Você me perguntou: 'O que faço, se me apaixono por uma paciente?'. E lhe respondi laconicamente: 'Será que é uma questão urgente?'. Você replicou: 'Desde o começo de minha formação, pratico (só de vez em quando, não se preocupe) um devaneio em que curo milagrosamente uma moça emudecida por sua loucura e, lógico, nos amamos para sempre.' Depois disso, decidi levar sua pergunta a sério.
Talvez você se lembre de que, na minha primeira carta, falei um pouco da admiração, do respeito, e, em geral, dos sentimentos que destinamos às pessoas a quem pedimos algum tipo de cura para nossos males.
Comentei que era bom que fosse assim, pois esses afetos facilitam o trabalho de um terapeuta. E acrescentei que isso é especialmente verdadeiro no caso da psicoterapia, com a exceção de que, neste caso, espera-se que o encantamento se resolva, acabe um dia. Sem isso, a psicoterapia condenaria o paciente a uma eterna dependência afetiva.
Repare que, às vezes, sentimentos negativos, como o ódio, permitem e facilitam o trabalho psicoterápico, tanto quanto o amor. Mas é certo que o amor é a forma mais comum dos sentimentos cuja presença assegura o começo de uma psicoterapia. Ou seja, é muito frequente que um/uma paciente se apaixone por seu terapeuta.
A psicanálise deu a essa paixão um nome específico: amor de transferência. O termo sugere que o afeto, por mais que seja genuíno, sincero e, às vezes, brutal, teria sido “transferido”, transplantado. Ele se endereçaria ao terapeuta por procuração, enquanto seu verdadeiro alvo estaria alhures, na vida ou na lembrança do paciente. Você já deve ter ouvido mil vezes: o amor de transferência, grande ou pequeno, é a mola da cura.
Primeiro, ele possibilita que a cura continue apesar dos trancos e dos barrancos. Segundo, ele permite ao paciente viver ou reviver, na relação com o terapeuta, a gama de afetos e paixões que são ou foram também dominantes em sua vida; essa nova vivência, aliás, é a ocasião de modificar os rumos e o desfecho dos padrões afetivos que, geralmente, assolam uma vida, repetindo-se até o enjôo. Terceiro, ele pode, às vezes, ser o argumento de uma chantagem benéfica: o paciente pode largar seu sofrimento por amor ao terapeuta, para lhe oferecer um sucesso, para ganhar seu sorriso, para fazê-lo feliz. Esse terceiro caso apresenta alguns inconvenientes óbvios: o paciente que melhorar por amor a seu terapeuta nunca se afastará dele, pois parar de amar seria para ele largara razão pela qual se curou, ou seja, voltar a sofrer como antes ou mais ainda.
Você deve também ter ouvido mil vezes que um/uma terapeuta não pode e não deve aproveitar-se do amor do paciente ou da paciente. Você pode ter carinho e simpatia por seu/sua paciente, mas transformar a relação terapêutica em relação amorosa e sexual é mais do que desaconselhado.
Por quê?
Nota: para simplificar, no que segue, falarei do terapeuta no masculino e da paciente no feminino. Mas o mesmo vale seja qual for o sexo do terapeuta e seja qual for o sexo do paciente, incluindo os casos em que esse sexo é o mesmo.
Um argumento que é usado tradicionalmente para justificar essa interdição é o seguinte: o afeto que uma paciente pode sentir por seu terapeuta é fruto de uma espécie de quiproquó. O terapeuta não é quem a paciente imagina. A situação leva a paciente a supor que seu terapeuta detenha o segredo ou algum segredo de sua vida e que, graças a esse saber, ele poderá entendê-la, transformá-la e fazê-la feliz. Ou seja, a paciente idealiza o terapeuta, e quem idealiza acaba se apaixonando.
Conclusão: o apaixonamento da paciente é um equívoco. E não é bom construir uma relação amorosa e sexual sobre um equívoco. Se paciente e terapeuta se juntarem, a coisa, mais cedo ou mais tarde, produzirá, no mínimo, uma decepção e, frequentemente, uma catástrofe emocional, pois a decepção virá de um lugar que pode ter sido idealizado além da conta.
Esse argumento, na verdade, vale pouco. Explico por quê: a paixão de transferência é, de fato, igual a qualquer outra paixão. Em outras palavras, os amores da vida são fundados num qüiproquó tanto quanto os amores terapêuticos. Quando nos apaixonamos por alguém, a coisa funciona assim: nós lhe atribuímos qualidades, dons e aptidões que ele ou ela, eventualmente, não têm; em suma, idealizamos nosso objeto de amor. E não é por generosidade; é porque queremos e esperamos ser amados por alguém cujo amor por nós valeria como lisonja. Ou seja, idealizamos nosso objeto de amor para verificar que somos amáveis aos olhos de nossos próprios ideais.
Então, se o amor de transferência não é muito diferente de qualquer amor, será que está liberado? Pois é, não está liberado: há outros argumentos contra, e são de peso; eles não se situam do lado do paciente (cujo amor é bem parecido com um amor verdadeiro), estão do lado do terapeuta.
Por que um terapeuta toparia a proposta amorosa de uma paciente? Por que ele se declararia disponível e proporia um amor quase irrecusável a uma paciente já seduzida pela situação terapêutica? Há três possibilidades.
1) A primeira é perfeitamente explicada no auto-de-fé do ex-presidente Clinton, quando, em suas memórias recentemente publicadas, ele narra e tenta entender seu famoso envolvimento com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinski. Com notável honestidade e capacidade analítica, Clinton não justifica seus atos pelo transporte da paixão, mas declara que ele se deixou seduzir ou (tanto faz) que ele seduziu Lewinski simplesmente 'porque podia'. Ele acrescenta (admiravelmente) que, de todas as razões possíveis, essa é a pior, a mais condenável.
'Transar porque pode' não significa só transar porque é fácil, porque o outro é acessível. Significa transar pelo prazer de poder. É como se a gente gostasse de bater em enfermo porque isso dá a sensação de ser forte.
O consultório do terapeuta tomado por essa fantasia se transforma num templo (ou num quarto de motel), em que as pacientes são chamadas a participar de ritos que celebram a potência do senhor.
Esse abuso dos corpos produz estragos dolorosos, porque ele se vale de uma oferta generosa de amor: “Posto que você me ama, ajoelhe-se”. É uma situação próxima à ‘ do abuso de uma criança, quando os adultos que ela ama e em quem confia se revelam sedentos de demonstrar sua autoridade pelas vias de fato, na cama ou a tapas.
Invariavelmente, o terapeuta deslumbrado pela descoberta de que ele 'pode' agir do mesmo modo com as pacientes com quem ele transa e com aquelas com quem ele não transa. A fantasia de abuso invade todo seu trabalho terapêutico, ou seja, ele não analisa nem aconselha, ele dirige e manda, pois ele goza de e com seu poder.
2) Mas há terapeutas, você me dirá, que se apaixonam mesmo por uma paciente e até casam. Concordo. Aliás, essa é a segunda possibilidade.
O curioso é que, em regra, os analistas que se apaixonam pelas pacientes que os amam são recidivistas. Eles se casam com várias pacientes, uma atrás da outra. Um psicanalista famoso, de tanto casar com pacientes, ganhou o apelido 'Divã, o Terrível'.
Conheço as desculpas: a gente trabalha duro e não tem tempo para sair na noite, onde a gente encontraria uma companheira? Afinal, não é banal que as pessoas encontrem suas metades no ambiente de trabalho? Além disso, o terapeuta se apaixona por alguém que ele conhece (ou imagina conhecer) muito bem; essa não é uma garantia da qualidade de seus sentimentos? Pode ser. Mas resta uma dúvida, que se torna quase certeza à vista da repetição.
Esses psicoterapeutas ou psicanalistas que se juntam com verdadeiras séries de pacientes devem ser tão cativos da situação terapêutica quanto suas pacientes. Explico. A paciente se apaixona porque tudo a leva a idealizar seu terapeuta. O terapeuta deveria saber que é útil que seja assim, mas também deveria saber que, de fato, sua modesta pessoa não é o remédio milagroso e definitivo que curará os males de sua paciente. Ora, é provavelmente disto que ele se esquece. O terapeuta, seduzido pela idealização de sua pessoa, como o corvo da fábula, acredita no que diz o amor de sua paciente, ou seja, acredita ser a panaceia que tornará sua paciente feliz para sempre.
Generoso? Ingênuo? Nada disso, apenas vítima, por exemplo, de uma obstinada esperança de voltar a ser o neném que, por um mítico instante, no passado, teria feito sua mãe absurdamente feliz.
A série continua porque a decepção é garantida. O terapeuta (como homem e companheiro) não é uma panaceia (ninguém é). A paciente com quem ele se casou, uma vez feita essa descoberta trivial, manifestará sua insatisfação e, com isso, fará a infelicidade do nené caprichoso com quem casou. Pronto, acaba o casamento. Entretanto, como disse, a esperança do terapeuta é obstinada; não é fácil desistir do projeto de ser aquela coisa que traz ao outro uma satisfação absoluta. Por que não tentar outra vez?
Os terapeutas recebem regularmente, em seus consultórios, os cacos desses dois tipos de desastres: o das abusadas e o das casadas e abandonadas por não se terem mostrado perfeitamente satisfeitas. São cacos difíceis de serem recolados. A decepção amorosa da paciente é violenta: afinal, ela foi enganada por um objeto de amor ao qual atribuía poderes e saberes quase mágicos.
O pior desserviço desses desastres é que, de fato, eles impedem que as vítimas encontrem a ajuda da qual precisam. Frequentemente, ao tentar uma nova terapia, elas não param de esperar que se engate uma nova relação erótica (pois lhes foi ensinado, por assim dizer, que a cura virá de um amor correspondido com seu terapeuta). Outra eventualidade é que elas nunca mais consigam estabelecer a confiança necessária para que um novo tratamento se torne possível.
3) Existe uma terceira possibilidade para os amores terapêuticos. É possível que se apaixone por sua paciente um terapeuta que não queira apenas gozar de seu poder e que não seja aflito pela síndrome de fazer a 'mamma' feliz. E é possível que uma paciente se apaixone por seu terapeuta sem acreditar que ele seja o remédio a todos os seus males.
Afinal, não é impensável que dois sujeitos, que tenham algumas boas razões de gostarem um do outro, se encontrem num consultório. Todos sabemos que um verdadeiro encontro é muito raro, e é compreensível que um terapeuta não faça prova da abnegação profissional necessária para deixar passar a ocasião. Mas, convenhamos, se esse tipo de encontro é tão raro, é difícil acreditar que possa repetir-se em série... Como diz o provérbio, errar é humano, perseverar é diabólico. Ou seja, pode acontecer uma vez numa vida. A partir de duas, a série é suficiente para provar que o terapeuta está precisando de terapia.
Abç."
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2020.07.06 00:45 dukaymon Ou os dois são loucos ou nenhum é.

Dia 1: Mário pega no carro e foge, saindo do concelho.
Dia 2 a dia 10: após abandonar o carro num parque de estacionamento a 230 km de casa, Mário esconde-se num pinhal e aí fica até acabaram as poucas latas de comida que trazia na mochila.
Dia 11 a dia 33: alimentado-se de frutas e vegetais que vai roubando de campos agrícolas e sem nunca ficar no mesmo sítio mais do que um dia, Mário encontra-se já a 300 km de casa, perto da fronteira.
Dia 33 a dia 77: sem se atrever a aproximar-se da civilização, por medo que o reconheçam (e não só), no meio do mato Mário encontra refúgio num casebre abandonado, envolto em silvas e arbustos, que funcionam como camuflagem, impedindo que mesmo o transeunte mais atento pudesse vislumbrar o edifício aí escondido. Na praia deserta que fica a 500 metros do local, Mário obtém o alimento que precisa e bebe a água da chuva que se acumula num pequeno tanque decrépito atrás do casebre.
Dia 78: Mário tenta pôr fim a tudo.

"Desculpem-me o mal que vos causei", lia-se na carta, "mas quero que saibam que, tal como rio rebenta o dique e inunda os campos em seu redor, se vocês sofrem por minha culpa, é porque não consegui conter em mim tanto sofrimento."
Dobrou a folha ao meio e deixou-a sobre um banco. Uma lágrima tinha esborratado o texto, deixando uma das palavras totalmente ilegível e, de forma parcial, a palavra que lhe antecedia e a palavra seguinte, mas ele nem reparou. Também não interessava, provavelmente ninguém iria descobrir aquela carta.
Levantou-se, saiu do casebre e caminhou nervosamente até à arriba de onde decidira que haveria de ser conduzido pela gravidade até ao abismo álgido e salgado que o tinha vindo a seduzir sempre um pouco mais de cada vez que o contemplara.
Era um dia ventoso e borralhento, mais ventoso ainda à beira mar, no cimo da falésia. Lá em baixo o mar castigava as rochas impassíveis que outrora haviam estado cobertas por um amplo lençol de areia.
Mário olha para baixo e murmura sofridamente:
-Como é possível que isto já tenha sido uma praia, e eu tenha sido tão feliz nela!
E não contém as lágrimas quando à mente lhe vêm as imagens dos longos e soalheiros dias de verão passados naquele lugar com os amigos, na adolescência.
Vinte anos separavam essas memórias do presente, vinte anos que, a bem dizer, pareciam cem ou mesmo vinte anos vividos por uma pessoa diferente, de tão antipodal era o seu estado de alma na altura em que decide suicidar-se, face à alegria, a energia e o fulgor do seu espírito na juventude.
Mário tentava sempre, quando ainda fazia um esforço para não desistir de viver, impedir-se de recordar esses bons momentos do passado, por saber que lhe agravavam a dor do presente. "O mau não parece tão mau a quem nunca conheceu o bom. Tomara que nunca tivesse experimentado a felicidade!", pensava ele.
Mas agora que está prestes a acabar tudo, que mal advinha de deleitar-se uma última vez com o sol e o calor desses Verões longínquos? A dor terminaria em breve.
- Seja esta a minha última refeição de condenado, um festim para as sensações! - disse ele.
A sua mente é então invadida por todas essas boas recordações que tanto procurara reprimir: as gargalhadas de fazer doer a barriga, os planos e objectivos idílicos para o futuro, a descoberta do prazer da sexualidade, as fogueiras acendidas pouco antes do Sol mergulhar no mar, com o intuito de obrigarem a praia a dar palco à sua puberdade até durante a noite.
Mário trauteia uma música da adolescência, de um desses Verões insuportavelmente felizes, e conforta-se com acreditar que dentro dos vãos e grutas daquela defunta praia ainda é possível ouvir o eco da sua melodia.
No alto do precipício o vento fustiga-o, e ele, de olhos fechados, imagina-o como sendo os seus amigos a saltarem para cima dele em jeito de brincadeira.
Esteve assim largos minutos, a colher quanta felicidade podia colher de um campo de alegrias já ceifado há muito. Até que a noção do presente retorna, para converter essa alegria em suplício: a realidade desesperante que põe fim à miragem de um oásis.
A chuva começava a cair tímida e lentamente, mas era perceptível que se estava a tornar ligeiramente mais forte a cada minuto que passava. Mas o vento, pelo contrário, seguia o sentido oposto ao crescendo da chuva.
-Ah, sim, o último banho do meu último dia de praia - diz Mário sarcasticamente, no seu habitual exercício de auto-comiseração, levantando a cabeça para encarar a chuva.
- Basta! - resmungou ele, cheio de repulsa de si mesmo, por não conseguir deixar de tratar com sarcasmo nem mesmo aquele que era o momento mais sério da sua vida.
Dito isto, baixa a cabeça, fita o abismo, vendo o mar que parecia aumentar de fúria, ofendido com a indiferença dos rochedos, e, sem ponderar um segundo, por medo que a coragem lhe viesse a faltar, dá aquele que pretende que seja o último mergulho da sua vida.
Mantém os olhos fechados e sente nos ouvidos o assobio do ar, que sobrepõe-se ao som da ira do oceano. E assim vai descendo, até que, de súbito, vê as memórias da sua vida, que naquele derradeiro momento parecem-lhe mais vívidas do que alguma vez pareceram, darem lugar a memórias estranhas e alheias a tudo o que vivera, e mas mais bizarro ainda: vê-as, não da sua perspectiva, mas da perspectiva de outra pessoa, que ele não fazia ideia de quem era.
Assustado, abre os olhos de repente e vê o mar a uns quantos metros de distância. Depois disso não se lembra de mais nada.

Quando acordou, Mário deparou-se com uma enfermeira que, empunhando uma seringa, tentava encontrar uma veia no seu braço. Ao vê-lo acordar, a enfermeira apressa-se a chamar um médico.
- O que é que aconteceu? - pergunta Mário, desorientado, ao médico que lhe auscultava o peito.
-Não se lembra do que aconteceu? - pergunta o médico. - O senhor atirou-se de uma falésia. Por sorte, ou mesmo por milagre, caiu numa zona em que a água tinha profundidade suficiente para que não tivesse morte imediata nas rochas. O hospital irá contactar a sua mulher e o o seu filho para informá-los que o senhor já se encontra consciente.
-Desculpe!? Mulher e filho? Eu sou solteiro e vivo com os meus pais! Enganou-se no paciente.
O médico, surpreendido, observa a sua ficha clínica e pergunta-lhe:
- Você não se chama Mário Costa Figueiredo?
-Sim - respondeu Mário.
-Então não há nenhum engano!
-Não, desculpe, há de certeza um equívoco... - retorna Mário, irritado e, ao tentar levantar os braços em protesto, repara que um deles estava algemado à cama.
- Ah, sim já me lembro, apanharam-me finalmente! Mas eu não tenho família nenhuma! Nem sou responsável pelo crime que me atribuem!
O médico calou-se, na dúvida entre estar perante um legítimo caso de amnésia ou um criminoso a mentir para tentar passar a ideia de que estava inocente.
Disse: "eu volto já" e afastou-se.
Os dois polícias que estavam de vigia à porta da sala onde Mário estava internado entraram assim que o médico avisou-os que ele tinha acordado e, a alguma distância, fitaram-no com cara de poucos amigos e trocaram entre si palavras que Mário não conseguia ouvir.
Provavelmente insultos, pensou Mário.
E pela razão certa, mas não contra a pessoa certa. Mário era suspeito de matar uma mulher grávida. O crime fora gravado e a cara dele tinha aparecido na televisão, mas não era ele.
Porém, o facto de se ter posto em fuga não fizera nenhum favor à sua reputação de auto-proclamado inocente, embora se ele próprio se tinha visto em vídeo a cometer aquele crime hediondo, seria impossível parecer mais culpado mesmo que tivesse ficado placidamente sentado no sofá à espera que a polícia arrombasse a porta de sua casa para o prender.
Setenta e oito dias em fuga andou Mário, até ser encontrado inconsciente na praia, após a tentativa falhada de suicido.
Mas porque fugiu Mário? E porque se tentou matar? As respostas, que parecem óbvias - não ser injustamente condenado por homicídio e estar cansado de viver como um pária fugitivo - não satisfazem totalmente as perguntas. Se esses foram factores a ter em conta, havia contudo algo de mais profundo, mais inquietante e mais assustador - ele fê-lo porque, no seu íntimo, sentia-se de alguma maneira culpado pelo crime que não cometeu.
Um Mário completamente seguro da sua inocência talvez não fugisse se o acusassem de um crime cometido por outrem. E decerto que jamais aceitaria carregar a culpa alheia por um crime, mesmo que todas as testemunhas jurassem pelos parentes defuntos que o tinham visto a disparar a arma. Nem mesmo que ele se tivesse visto a matar a vítima, como de facto viu. Nem mesmo que a sua vida dependesse disso. Mário estava inocente e sabia-o com toda a certeza, mas sabia também, com equivalente grau de certeza, que era (um pouco) culpado.

Mas os problemas de Mário não começaram com o homicídio.
Um estranho acontecimento ocorrido vinte anos antes, fora o que dera início à inexorável descida de Mário ao abismo.
Mário sempre jurou que pouco tempo antes do acidente que o tinha deixado desfigurado, tivera uma premonição. Um sentimento repugnante, um misto de desespero e medo avassalador, acompanhado por um arrepio na espinha, que sentira ao ver um relâmpago cair no sítio onde meses mais tarde seria atropelado por um carro.
Estropiado e desfigurado, não foi mais capaz de arranjar emprego e muito menos manter uma vida amorosa com uma mulher. Tinha passado os últimos vinte anos da sua vida a viver em casa dos pais, dependente destes, sem quase nunca sair à rua. Um adulto que nunca experimentara ser adulto, alguém que ia envelhecendo mas cuja vida parara para sempre na adolescência.
Sem coragem para matar-se, a única coisa que desejava, dia a pós dia, era a morte.


As provas não deixavam margem para dúvida: as impressões digitais recolhidas no local do crime eram dele, bem como ADN. Se ele não era culpado deste crime, as prisões estavam cheias de inocentes.
E no entanto não era culpado, asseverava ele com toda a convicção e honestidade possíveis de se encontrar num inocente injustamente acusado.
Mário foi condenado à pena máxima. A "sua" mulher esteve presente no julgamento, chorosa, desolada, horrorizada. E na cara de Mário era patente a incredulidade de um viajante do tempo que encontra no futuro um mundo tecnologicamente impossível de conceber na sua era. Estarei louco?, pensou ele. E foi nisso que preferiu acreditar, confrontado com a sua "nova" realidade. Mas não cometi aquele crime, posso estar louco mas não sou assassino!
A mulher visitou-o relutantemente apenas uma vez na prisão. Quando, durante essa visita, ele lhe disse que nunca a tinha visto na vida e que não tinha filho algum, nem com ela nem com ninguém, ela sentiu alívio por ter sido ele a pôr fim a tudo. Se fosse eu a rejeitá-lo, ele ainda me mandava matar!, pensou ela à saída da prisão.Mário depressa se aclimatou à vida de recluso, que ele não considerava pior que a vida miserável que tinha levado durante os últimos vinte anos, enclausurado em casa dos pais. Ao fim do primeiro ano, Mário decide escrever um livro, uma espécie de biografia "barra" apologia da sua inocência.
Falou da premonição, do acidente meses mais tarde, da visão que teve quando se tentou matar; tentou demonstrar o seu álibi para a momento do crime e falou das suas famílias: a verdadeira, os pais, dos quais nunca mais teve notícia e nunca mais não foi capaz de encontrar, como se nunca tivessem existido (a casa onde viviam também não existia), e da nova família e nova vida que o universo lhe atribui depois de se ter atirado da falésia.

O manuscrito chamou a atenção do psiquiatra que acompanhava Mário. O psiquiatra tinha diagnosticado Mário com amnésia retrógrada e classificara as memórias anteriores ao acidente de confabulações.
O psiquiatra tinha um amigo, Alexandre, um sujeito lunático mas interessante, que tinha interesse no ocultismo, em particular na parapsicologia. O psiquiatra, Carlos de seu nome, que gostava de ficar a ouvir o seu amigo e antigo colega de faculdade a debitar disparates fantasiosos mas originais quando se encontravam aos domingos à tarde, na casa deste último, sempre com um leve sorriso de troça na cara, sem, contudo, ser desrespeitoso e sem que Alexandre levasse a mal, decidiu mostrar-lhe uma cópia do manuscrito, com a autorização de Mário.
Numa terça-feira de manhã, no caminho para o trabalho, Carlos parou na casa do seu amigo e entregou-lhe o manuscrito, na expectativa de ouvir Alexandre discorrer sobre o assunto no domingo seguinte.
- Olha o que um recluso lá da prisão escreveu. Diverte-te.
E saiu um pouco apressado, pois já ia atrasado.
Domingo chegou, e, para quebrar o hábito, era Alexandre que batia à porta de Carlos logo após o almoço e não o inverso, como sempre sucedera. Estava nervoso e efusivo, como um adolescente prestes a perder a virgindade.
- Tenho de falar com esse tipo. A que horas podem os prisioneiros receber visitas? - perguntou Alexandre.
Carlos tentou demovê-lo, pois não lhe agradava a ideia que um doente mental como Mário, e ainda por cima um paciente seu, fosse influenciado por um excêntrico como Alexandre, por mais bem-intencionado que fosse. Discutiram e foram-se zangando gradualmente mais com o decorrer da discussão. No fim, para não arruinar aquela amizade que ambos prezavam, Carlos concedeu que Alexandre visitasse Mário, até porque não havia maneira legal de o impedir.

O dia em que Mário e Alexandre se conheceram chegou, e, assim que Mário o viu, pensou tratar-se de algum daqueles "novos" parentes ou amigos da sua realidade pós tentativa de suicídio.
- Ah, sim, você é o tal amigo do psiquiatra - disse Mário, aliviado por não ser nada daquilo que esperara.
Alexandre disse que lera o livro e Mário interrompeu-o:
-Deve pensar que eu sou maluco ou mentiroso, não é? - acrescentou ele.
Houve uma pausa e Alexandre, num tom sério, respondeu:
- Não, não acho...
Os olhos de Mário acenderam-se e, após alguns uns segundos, perguntou:
Quer dizer que você... acredita?
Uma pausa, mais longa que a anterior, separou a pergunta de Mário da resposta de Alexandre. Alexandre aproximou a cara do vidro e, como que reconfortando um amigo em sofrimento, diz com voz baixa mas firme:
- Acredito.
Mário pergunta imediatamente, incrédulo e extático:
-Acredita que eu sou inocente ou no resto? Ou em tudo?
Alexandre diz:
-Acredito que teve de facto aquilo a que chama de "premonição". Acredito que viu o que viu quando se atirou para o mar e, embora não descarte a hipótese de amnésia, creio que é possível que esteja a ser sincero quando diz que a sua família não é de facto a sua família. Quanto ao crime, devo ser a única pessoa no mundo que não está convicto da sua culpabilidade.
Mário não sabia o que achar. A realidade para ele não fazia sentido. Se ele próprio vira-se a cometer o crime e sentia-se um pouco culpado por isso, embora soubesse que não o cometera, e se havia provas irrefutáveis que apontavam para si, como é que era possível que alguém duvidasse disso, ainda para mais um total desconhecido como Alexandre? Uma realidade em que Mário era casado e tinha um filho, era uma realidade em que também podia existir alguém como Alexandre. Mas provavelmente estava louco, como preferia acreditar.
Quase a chorar, Mário pergunta:
-O que o leva acreditar em mim?
Alexandre diz:
-Conhece o conceito de doppelganger?
- Sósias? Sim - respondeu Mário.
-Certo - retorquiu Alexandre-, mas não me refiro somente a pessoas apenas com similaridades físicas com outras pessoas sem parentesco. Falo de uma relação entre dois ou mais indivíduos que vai além do que é meramente o aspecto físico, a uma relação de transcendência psicológica, uma ligação talvez metafísica entre mentes.
-Desculpe, mas não acredito nessas coisas - retrucou Mário. - E não vejo o que tem isso a ver com o meu caso. Está a querer dizer que foi um sósia meu que cometeu o crime?
-Não acredita, mas no entanto jura que a sua família foi trocada, que não cometeu o crime apesar das evidências e que viu a vida de outra pessoa à frente quando tentou matar-se. Se não acredita, então só podemos concluir que é louco, certo? E para além disso, é você que afirma ter tido uma "premonição". Ora, não acredita em si próprio? Loucura por certo...

Mário, sentiu-se tocado. Nunca revelara a ninguém que achava que talvez estivesse louco. Mas que outra explicação haveria?
-Não me diga que o meu sósia também tem o meu ADN e as minhas impressões digitais? - disse Mário, um pouco desdenhoso. - E quando eu falei de premonição, se você leu mesmo livro, decerto se lembrará que não invoquei explicações paranormais. Eu senti que algo de mau ia acontecer, e aconteceu. Foi apenas isso, um sentimento. Se eu "adivinhei" o futuro ou se foi um sinal "dos Céus" abstenho-me de especular.
Pense nisto - disse Alexandre-, tal como duas pessoas diferentes, sem qualquer contacto entre si, podem acertar nos números da lotaria, também é possível, mas extremamente improvável, que duas pessoas tenham o mesmo ADN. A probabilidade é tão baixa que no mundo você não encontrará ninguém geneticamente igual a si, mas se a população mundial fosse suficientemente numerosa, seria possível encontrar; e quanto mais numerosa fosse, mais probabilidade haveria. Seriam seus "gémeos" idênticos, apesar de não serem filhos dos mesmos pais... - Mário ia dizer algo, mas Alexandre aumentou e apressou a voz de modo a impedido de exprimir-se. - Quanto à premonição, se você pressentiu algo de mau que iria acontecer meses depois, então é óbvio que temos de recorrer a explicações não usuais para isso, pois prever o futuro não é considerado possível pela ortodoxia científica. Dou-lhe o seguinte exemplo como forma de fazê-lo perceber melhor onde quero chegar:
"Há várias décadas, na Austrália, um homem, incapaz de adormecer, decide ir à varanda para apanhar ar. No momento em que vê a lua cheia sente uma repulsa macabra inexplicável, como nunca tinha sentido, um mal-estar físico como se tivesse ingerido algum veneno. Era perto da meia-noite. No dia seguinte, a polícia bate à sua porta e informa-o que a sua filha fora assassinada. O médico legista determinou que ela tinha sido morta por volta da meia-noite.
"Não havia maneira do pai saber que a filha estava a ser assassinada a dezenas de km de distância, no entanto esse acontecimento foi sentido por ele de algum modo, a não ser que acreditemos que se tratou de uma coincidência.
"Isto costuma acontecer também com gémeos idênticos, em que um deles é sensível ao que se passa com o outro."
-Continuo sem perceber o que tem isso a ver comigo - disse Mário.
-Da mesma forma que a mente consegue sentir a dor ou alegria de alguém que nos é biologicamente próximo, ou mesmo idêntico, você, como confessou no seu livro, talvez sente-se um pouco culpado pelo crime porque aquele poderia ser o seu irmão gémeo ou algum "clone" sem relação a si, como referi há pouco. Esta - um irmão gémeo - seria a explicação mais simples, e portanto mais plausível, para o sucedido. Mas como acreditar nisto se você próprio confessou o crime na sua carta de despedida? E se eu acreditasse nisto não estaria aqui.
Mário ficou atónito:
-Desculpe?
Alexandre, que não estava surpreendido com a surpresa de Mário, não que achasse que ele estava amnésico ou a fingir, diz:
-Sim, após acordar no hospital você revelou o seu esconderijo à polícia e lá encontraram a sua carta, na qual desculpava-se pelo sofrimento causado à sua mulher e filho e confessava o homicídio da sua amante grávida. .
-Não, lamento, isso não aconteceu. Eu escrevi uma carta, sim. Mas como tem você conhecimento disso? - pergunta Mário. Que um estranho tivesse conhecimento de uma carta que nem a polícia que investigou o crime e perseguiu Mário durante quase três meses conhecia, seria motivo de estupefacção e medo para qualquer pessoa, mas em Mário, que já passara e continuava a passar por coisas mais bizarras, isso não causou tanto espanto como deveria. Mário acrescenta:
-Mas não escrevi isso que diz. E para além disso, a polícia, que eu saiba, nunca encontrou a carta porque eu, com vergonha, nunca mencionei o esconderijo. Não queria que a minha carta de despedida fosse descoberta tendo eu sobrevivido, seria vergonhoso demais. Mas em nenhum parágrafo da carta admiti o crime, pois não o cometi. Apenas pedia desculpa aos meus pais pelo sofrimento que lhes causei, motivado pelo sofrimento que eu sentia.
-Lembre-se, eu acredito que esteja a ser sincero quando diz o que diz. E que essa sinceridade não advém das confabulações em que um amnésico acredita, mas correspondem aos factos.
"Eis o que eu acho: você não matou aquela mulher. Mas você também matou-a. E as suas duas famílias são ambas suas mas não ao mesmo tempo. E as memórias que viu na mente são suas e e não são suas, pois foram e não foram vividas por si.
"Aquela sua premonição, tida no momento de uma descarga de energia - o relâmpago - foi a recolecção, por parte da sua mente, da informação de um evento que tinha acontecido no futuro, mas um futuro doutro universo, futuro esse que, em relação à linha temporal do nosso universo, seria um acontecimento do passado. Doutro modo, você não poderia ter tido a premonição, pois a causa (o acidente) teve de anteceder o efeito (a premonição do acidente) para que aquele pudesse ser previsto. Como, de acordo com as leis da física, as causas nunca antecedem os efeitos, o acidente teve de ocorrer primeiro noutro universo para que o conhecimento dele neste universo pudesse anteceder o seu acontecimento neste universo. É esta, a meu ver, a explicação para o fenómeno vulgarmente denominado «premonição»: a falsa «previsão» do futuro que não é mais que a lembrança, neste universo, de um evento já ocorrido noutro universo e que irá também ocorrer neste. E falo da verdadeira premonição, não da ilusão de premonição que advém das naturais falhas e vieses cognitivos da mente humana."
-Agora você já está a abusar- disse Mário. - Ou você é mais louco do que eu ou está a fazer pouco de mim.
Alexandre esboçou um sorriso, mas logo ficou sério:
- Não, repare, o que eu lhe estou a tentar dizer é que acredito que cada um de nós tem pelo menos um outro "eu", e talvez uma infinidade de "eus", que existem simultaneamente connosco, mas não aqui. O que acontece, na minha opinião, é que, por razões que ainda não vislumbro, às vezes esse(s) diferente(s) universo(s), ou partes dele(s), como você, ou eu, ou uma cadeira, ou uma árvore, ou um simples átomo, cruza(m)-se com o nosso, da mesma maneira que duas linhas de pesca se emaranham ao cruzarem-se, ou como dois fios de electricidade, que correm paralelos de um poste ao outro, tocam-se quando há vento. E ao fazerem-no podem trocar matéria, energia e informação. As memórias que você viu, e que se calhar irá ver com mais frequência, ou nunca mais, são as memórias do seu outro "eu" de um universo paralelo, com o qual você trocou informação. A "nova" vida que todos dizem ser sua após a queda no mar, talvez não seja mais que a "sua" vida de um universo paralelo. Talvez você não seja deste universo, ou talvez sejamos nós, e quando digo nós refiro-me à totalidade do que existe neste universo, que estejamos a mais; se calhar este universo, ao emaranhar-se com outro, foi esvaziado do seu conteúdo original, excepto você, e preenchido com o conteúdo desse outro universo. E agora você, neste seu universo, paga pelo crime que o seu outro eu cometeu naquele nosso universo. E o seu outro eu deve andar por lá livre como um passarinho. Que bela forma de escapar à justiça, não acha?
"E às vezes, creio que acontece o seguinte: quando dois universos se «cruzam» apenas um deles recebe matéria ou energia do outro. É esta, a meu ver, a origem de alguns doppelgangers. Que podem ser de pessoas, animais, plantas ou coisas inanimadas.
"É natural que se sinta culpado do crime, foi você que o cometeu. Se um pai é capaz de sentir uma filha a ser assassinada e um gémeo a dor de outro gémeo, como não havia você de sentir o que você próprio fez?"
Mário abanou a cabeça como quem está farto de ouvir baboseiras e levantou-se da cadeira.
-A visita acabou - disse ele ao guarda. E foi reconduzido à sua cela.
Devo estar louco, de facto. E se calhar até cometi o crime e não me lembro. Se calhar estão todos certos. Mas aquele tipo também não devia andar à solta, pensou Mário. E talvez estivesse certo também.
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2020.04.07 17:19 eusolangebarbara Como Seduzir um Homem Seguindo essas 15 Dicas para Decifrar sua MENTE

Como Seduzir um Homem Seguindo essas 15 Dicas para Decifrar sua MENTE submitted by eusolangebarbara to u/eusolangebarbara [link] [comments]


2020.03.14 17:20 libertbutts como seduzir um homem através de mensagens de texto.

como seduzir um homem através de mensagens de texto. submitted by libertbutts to u/libertbutts [link] [comments]


2020.02.26 17:12 mautrapilho Como Seduzir Um Homem Pelo WhatsApp Passo a Passo

Como Seduzir Um Homem Pelo WhatsApp Passo a Passo submitted by mautrapilho to u/mautrapilho [link] [comments]


2019.12.12 03:11 GrifoCaolho D&D, História, Ensino, e Brasil Colônia

Vocês acabaram de chegar à vila de Engenho Novo, onde foram contratados para resolver uma série de crimes. Ela é pequena e de fundação recente, e sua principal autoridade é um nobre português de nome Dom Bosco. Ele é auxiliado por um padre, que está na vila a mando da Igreja para a conversão dos nativos. Vocês avançam pela estrada de terra batida, observado as casas simples e plantações de cana de açúcar no horizonte. A vila parece estar sem uma única alma viva, mas logo vocês percebem que as casas estão todas vazias devido a algum acontecimento na praça central: parece que toda a população de Engenho Novo está reunida, preocupada, em torno de algo.
Com uma introdução parecida com essa, dei início a uma sessão de RPG (D&D 5E, simplificado) com meus alunos do 6º e 7º Ano do Fundamental II (idades entre 11 e 13 anos). A aventura foi uma adaptação de Moon over Graymoor, uma aventura gratuita para D&D 5E, pensada para convenções e one-shots, com uma particularidade: o foco dela não é o combate, mas a investigação.
As adaptações foram feitas no sentido de tornar Graymoor, um vilarejo medievalesco em Faerun, em uma vila brasileira do começo do século XVII na zona da mata Pernambucana - e tornou-se, então, Engenho Novo. Nobres tornaram-se portugueses, o padre da cidade tornou-se católico, e a população um misto de nativos, escravos, e poucos homens livres.
A criançada usou personagens simplificados, sem preocupação com a classe de cada um, e foi encarregada de descobrir quem era o culpado pelos desaparecimentos em Engenho Novo. Das coisas interessantes que sobressaíram na atividade:
Fiquei contente pra caramba com o resultado: as crianças adoraram a diversão diferente, mataram a curiosidade do RPG, pediram por mais, e guardaram a prevalência da desigualdade no Brasil colonial, a importância do status social, e as inúmeras diferenças entre Europa e Brasil.
Tô ansioso pra desenhar uma aventura mais elaborada e trazer a mesma dinâmica, melhorada, pro ano que vem, sem ter que rodar tanto no improviso uma próxima vez.
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2019.12.11 05:38 altovaliriano O Beijo, a Pérola e a Penumbra

No capítulo de Arya liberado pelo próprio Martin ("Mercy"), a indisciplinada estagiária dos Homens sem Rosto está fazendo parte da trupe de atores de Izembaro, dono da casa de Teatro "O Portão", durante a estréia da peça "A mão sangrenta", executada em homenagem ao enviado do Trono de Ferro, Sor Harys Swyft.
Entre os guardas de Sor Harys, Arya avista um dos homens do Montanha que estava em sua lista: Raff, o Querido. Arya então improvisa um plano para seduzir Raff, o qual funciona ainda que ela, mesmo disfarçada, seja uma pré-adolescente. Ela leva Raff ao quarto da sua persona, Mercy, e lá o mata.
Este é um dos mais desconfortáveis capítulos em toda a saga. Desde A Fúria dos Reis que Arya lida com assédios, porém é a primeira vez que vemos a garota se valer desse tipo de recurso para enganar um inimigo. A coisa chega longe a ponto de Raff beijar Arya e ela retribuir (ainda que, pela descrição, o ato pareceu puramente mecânico):
Ele agarrou seu pulso.
– Eu é que vou ensinar. Hora de sua primeira lição.
Ele a puxou com força contra si e a beijou nos lábios, forçando a língua em sua boca. Foi molhado e viscoso, como uma enguia. Mercy a lambeou com sua própria língua, e em seguida se livrou dele, sem fôlego.
– Aqui não. Alguém pode ver. [...]
(TWOW, Mercy)
Portanto, o primeiro beijo de Arya foi um beijo da morte. E há leitores que suspeitam que este evento seria uma indicação de que estas táticas de sedução podem entrar para o repertório da Menina Sem Rosto. O que implica que ela pode precisar de treinamento na área.
A desobediência de matar uma pessoa por vontade própria certamente custará algo à Arya. Muitos leitores até acreditam que ela será expulsa da seita. Contudo, o próprio Homem Gentil apontou que A Casa do Preto e do Branco pode ser um pouco mais persistente com seus discípulos do que isso:
– [...] Tomamos seus olhos e os devolvemos a você. Da próxima vez, pegaremos seus ouvidos, e você andará no silêncio. Você nos dará suas pernas, e rastejará. Você não será filha de ninguém, esposa de ninguém, mãe de ninguém. Seu nome será uma mentira, e até mesmo o rosto que você usar não será o seu [...].
(ADWD, A Garotinha Feia)
Contudo, ainda assim Mercy terá que desaparecer e dificilmente a Casa do Preto e do Branco enviará Arya novamente a Izembaro (que possivelmente ficará irado com suas ligações com o templo lhe causarem problemas com o enviado de Westeros). Portanto, para onde iria Arya em seguida?
Muitos leitores argumentam que a Menina Sem Rosto passaria a ser tutelada por uma outra pessoa importante em Braavos:
– Acha que este é o único lugar para você – era como se ele ouvisse seus pensamentos. – Engana-se. Encontraria um trabalho mais brando na casa de um mercador qualquer. Ou preferiria ser uma cortesã e ter canções cantadas à sua beleza? Diga uma palavra e enviaremos você para Pérola Negra ou para Filha da Penumbra. Dormirá em pétalas de rosa e usará saias de seda que sussurram ao caminhar, e grandes senhores se transformarão em pedintes por seu sangue de donzela. [...]
(AFFC, Arya II)
Dessa forma, uma das opções mais óbvias para explorar o atual potencial de Arya como mulher seria enviá-las às cortesãs de Braavos. E pela facilidade nas palavras do Homem Gentil, Pérola negra e Filha da Penumbra têm ligações com o templo.
Ao se unir à Pérola Negra, Arya teria a oportunidade de ficar em contato com o enviado de Westeros e, de quebra, explorar um pouco do passado de Bellegere Otherys, que supostamente descende de Aegon IV:
Depois que Naerys ficou grávida e quase morreu em 161 d.C., o rei Baelor mandou Aegon para Bravos em missão diplomática. Relatos da época sugerem que foi uma desculpa para garantir que Aegon deixaria Naerys sozinha enquanto ela se recuperava de um parto fracassado. Lá ele conheceu Bellegere Otherys. Seu caso com a Pérola Negra continuou por dez anos, embora seja dito que Bellegere tinha um marido em cada porto e que Aegon foi apenas um de muitos. Ela deu à luz três crianças nessa década, duas meninas e um menino de paternidade duvidosa.
Filhos com a Pérola Negra: Bellenora, Narha, Balerion.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Aegon IV)
Contudo, seria mais compatível com o perfil da Casa do Preto e do Branco não utilizar Arya junto às personalidades mais renomadas de Braavos, de modo que a Filha da Penumbra parece mais adequado. De fato, quando o Homem Gentil destacou Arya para sua "primeira aprendizagem" em meio a pantomimeiros, a casa de teatro escolhida não foi a mais famosa da cidade:
Era raro encontrar mais da metade do segundo balcão cheia no Portão; os poderosos que apreciavam noites de pantomima eram mais propensos a visitar o Domo ou o Lanterna Azul, onde a oferta era considerada mais sutil e poética.
(TWOW, Mercy)
É claro que pode-se arguir que o Domo ou o Lanterna Azul podem simplesmente não ter conexões com a Casa do Preto e do Branco. Contudo, faz sentido que Arya faça seu "segundo aprendizado" junto a uma celebridade menor da Cidade.

O que vcs pensam disso?
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2019.11.25 13:13 TsunadeBachan Como seduzir um homem !

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2019.11.25 02:35 danalha Como seduzir um homem !

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2019.10.13 05:00 altovaliriano [PERSONAGENS] Arianne Martell

Em O Festim dos Corvos, Arianne Martell é desde logo apresentada como uma jogadora que está disposta a assumir grandes riscos. No segundo capítulo de núcleo dornês da saga, já vimos o evidente contraste entre a cautela de seu pai e seu comportamento arrojado.
Porém, os planos de Arianne se mostram fúteis diante da capilarização do poder de Doran. O Príncipe mostra ser um jogador experiente: ele chega antes, com mais homens, faz bom uso do elemento surpresa e não deixa muito para o acaso (apesar de que o que deixou ao acaso quase custou a vida de Myrcella, como ele admite). Doran sabe como quebrar Arianne, enquanto adversária. Mas nunca soube como compreendê-la como filha, tampouco lhe dar utilidade como aliada. E este desconcerto quase leva Dorne a uma guerra simultaneamente interna e externa.
Contando com os capítulos liberados de Ventos do Inverno, Arianne só aparece em 7 capítulos, dos quais é POV em apenas 4. Muito pouco para se esperar que haja material para traçar paralelos com personalidade históricas do mundo real. Contudo, há elementos para comparar sua jornada a fábulas de nosso mundo e a personalidades da história do mundo dela.
Para tanto, vamos examinar sua condição humana, seu despertar para a maturidade e seu futuro.
ARIANNE, O ANIMAL HUMANO
Pouco realmente se sabe sobre a infância de Arianne. A lembrança mais antiga da filha de Doran e Mellario remete ao tempo em que era uma criança rechonchuda e de peito liso e rezava aos deuses para ser bela quando crescesse (TWOW, Arianne I). Essa memória revela o quão significativo para Arianne era a beleza, algo que mais tarde viria a se tornar sua ferramenta mais amplamente explorada.
Fora isso, sabemos apenas detalhes vagos, como que ela tinha uma boa relação com Doran ("A garotinha que costumava correr para mim quando esfolava o joelho") e passou muitos anos da infância nos Jardins de Água. Contudo, uma vez que o relacionamento de seus pais deve ao menos ter tido um início auspicioso, Arianne provavelmente foi a única filha a presenciar os bons anos de relacionamento entre Doran e Mellario.
Não sabemos ao cero quando os problemas começaram, mas sabemos que eles atingiram um pico quando Quentyn foi usado como moeda de troca com os Yronwood pelos problemas que Oberyn havia causado. Também não sabemos quando isso aconteceu, mas, uma vez que Quentyn nasceu em 281 e sua partida se deu quando ele era "muito jovem", não deve ter ocorrido quando Arianne tinha mais de 10 anos de idade (ou seja, no máximo, 286 dC) e, segundo ela, isso foi determinante para que nunca fosse próxima do irmão.
Quando Arianne tinha 11 anos (287 dC), seu irmão Trystane nasceu. A diferença de idade é a justificativa que Arianne usa para justificar sua falta de intimidade com Trystane. Porém, deve ser lembrado que algum tempo depois, novamente a relação de seu pai e sua mãe chegou a outro ponto extremo e Mellario voltou para Norvos. Ainda que não saibamos quando isso ocorreu, é difícil de acreditar que isto tenha ocorrido antes que Arianne, ao 14 anos (290 dC), descobrisse a carta de Doran a Quentyn que fez com que suas relações com seu pai deteriorassem.
Arianne, portanto, era uma filha de pais divorciados. E Trystane, uma criança, não era a pessoa indicada para lhe amparar. Na verdade, Arianne buscava apoio nas primas, as serpentes de areia, todas elas mulheres criadas longe de suas mães, e nos amigos de infância, em especial Garin, cuja mãe foi ama-de-leite de Arianne. Assim, são pessoas unidades pelo tema da maternidade.
Não fossem os dorneses famosos por seu comportamento impulsivo e sexualizado, seria fácil atribuir as travessuras de infância e adolescência de Arianne e cia à desestabilização do núcleo familiar. Ainda assim, quando ficamos sabendo que certa vez a filha de Doran e as Serpentes de Areia foram tão longe quanto cruzar o rio Vago para fazer uma visita da melhor amiga de Arianne, Tyene Sand. Literalmente, um jornada em busca da mãe.
Ainda assim, Mellario não pode ser considerada um influência na vida de Arianne. O impacto que ela causou na garota foi tê-la deixado, assim como Arianne deve ter se sentido preterida pelo pai quando descobriu a carta a Quentyn. A pessoa que detinha a admiração era seu tio Oberyn, por quem nutria uma paixonite (segundo informações do aplicativo oficial para celular, uma fonte semi-canônica). Para os dorneses, comparados a Oberyn, seu pai e sua mãe não poderiam ser chamados de pessoas fortes.
Talvez desse complexo paterno por Oberyn que Arianne tenha desenvolvido uma personalidade mais parecida com a das Serpentes de Areia do que a dos outros Martell. Não sendo uma guerreira, não poderia ser parecida com Nymeria ou Obara, mas Arianne acaba por desenvolver uma personalidade gêmea à de Tyene, que usa de uma aparência de ingenuidade para disfarçar maquinações ferozes.
A sedução e a beleza são as ferramentas de Arianne, no lugar da violência. Ela rezou muito para que fosse bela porque provavelmente entendia o que isso representava. Como Arianne reconhecidamente tem um fraco para garotos bonitos, maus e perigosos (TWOW, Arianne I) - provavelmente em decorrência de sua atração por Oberyn, o ícone das Serpentes de Areia -, ela sabia que a beleza e a sedução era o atiçador com que puxaria as brasas para si.
Mas a beleza e a sedução tem se mostrado armas vazias em sua mão, pois seus planos são mais calcados em fantasia do que em observação. Isso ficou demonstrado com o fiasco de seus planos de coroar Myrcella. Por outro lado, agora que Arianne conhece as intenções e planos de seu pai, sua natureza impulsiva Oberynesca não garante que ela esteja a salvo da morte, tal qual Oberyn não estava.
ARIANNE, A BELEZA ADORMECIDA
Antes de sua conspiração falhar e começar a cooperar com seu pai, Arianne desconhecia as consequências de sua impulsividade e seu fraco por homens bonitos. Não estava com os olhos abertos, era uma beleza adormecida. Ela, a princesa, foi aprisionada em uma torre e ficou à espera de quem viesse enfrentar seu carcereiro. Mas ningúem veio. E o único príncipe que fez seu resgate foi o próprio Príncipe de Dorne, para ruína das ilusões que ela alimentava.
As ligações de Arianne com a figura de Bela Adormecida e com a trope da Donzela em Apuros são evidentes não só em sua trama atual. Arianne já demonstrava essa propensão em sua história pregressa, especificamente na sua primeira visita à Pedramarela, durante a qual, enquanto Tyene aprendia a extrair veneno de cobras e Sarella revirava o local com curiosidade, Arianne sonhava com um cavaleiro que a raptara para usá-la. Em outras palavras, Arianne fantasiva com paixões ardentes em um ninho de cobras, literalmente.
O seu retorno é ainda mais significativo. Arianne estava tão adormecida que trouxe uma conspiração que quereria extrema confiança recíproca para um ninho de cobras, tanto literal quanto metafórico. No final, ela não ter certeza de quem a denunciou demonstra o quão pouco Arianne sabia daquelas pessoas sobre quem ela depositava imensa grande confiança. Nem o fato de o perigoso Sor Gerold Dayne estar no grupo é suficiente para que ela ponha a mão no fogo por seus amigos.
O nome que o conto da Bela Adormecida recebeu em alemão foi Dornröschen, em que Dorn significa "espinho, espinheiro, urze" e röschen seria "rosa, flor", em razão da floresta de espinheiros que tomam o reino quando a princesa adormece. Há também oito fadas madrinhas (como as oito Serpentes de Areia), mas isso é só uma curiosidade.
Arianne desconhece que está dormindo em meios aos espinhos dorneses, algo que Doran parece conhecer há muito. Porém, talvez o conhecimento de Doran lhe tenha sido passado por sua mãe, a antiga Princesa de Dorne, tornando Doran o responsável pelo comportamento de Arianne, com quem ele está em dívida.
De fato, Arianne levanta 5 motivos para justificar sua conspiração contra seu pai, todos eles muito justificados diante do desconhecimento dos planos de Doran:
  1. Doran propôs que ela casasse com homens velhos e desdentados (quando sabemos ela tem um fraco por rapazes bonitos - e nós vimos este tipo de coisa terminar mal com Lysa Tully, por exemplo);
  2. Doran não passou a ela nenhum poder, liderança ou cargo quando ele se mudou para os Jardins de Água, só a deixou a cargo de recepções e festins (querendo certamente transmitir uma aparência de normalidade, mas sem saber estava enfiando o dedo na ferida aberta com a descoberta da carta a Quentyn por Arianne);
  3. Doran convocava Oberyn a cada quinze dias, mas Arianne apenas uma vez por semestre;
  4. A carta de Doran para Quentyn que dizia “um dia sentará onde me sento e governará todo o Dorne, e um governante deve ser forte de mente e de corpo(o que diretamente usurpava seu direito e indiretamente a chamava de fraca);
  5. Quentyn foi enviado a Essos sob disfarce com cinco companheiros de importância simultaneamente à Companhia Dourada quebrar o contrato com Myr.
As intenções de seu pai não foram apreendidas não por completa ausência de educação política. Areo Hotah lembra-se de ter ouvido Doran ensinar a Arianne que "o silêncio é amigo de um príncipe" e que "as palavras são como flechas, Arianne. Depois de disparadas, não podem ser chamadas de volta. Mas, devido a complexidade de seus planos, Doran depende de que as peças do seu jogo obedeçam sem questionar, o que também é fantasioso de sua parte. Em outras palavras, Doran também fantasiou que estava sendo transparente com Arianne.
Por motivos que já explicamos, Arianne já deveria se sentir abandonada e Doran por em ação planos que pareciam confluir para roubar seus direitos hereditários deve ter colocado Arianne contra a parede. Mas, se Arianne já conhecia a carta desde os 14 anos, por que levou quase 1 década para agir? Por que a morte de Oberyn tornou Dorne sedenta por uma guerra e colocou o povo contra Doran (como vimos pelas frutas atiradas contra a comitiva de Doran quando ele chegou a Lançassolar).
Arianne pretendia se apropriar do momento para jogar o povo contra seu pai, mas descobriu que estava cercada de espinhais. Não sabia da natureza de seus escolhidos e foi traída, não ponderou sobre os riscos e matou um cavaleiro da guarda real e quase matou a criança que visava proteger. Ela quase conseguiu uma guerra que nada teria a ver com seus direitos.
Quando foi presa, Arianne continuou a elaborar planos de acordo com as estratégias que conhecia. Primeiro, pensou em se valer do cinismo para mentir e atuar, depois vestiu a "roupa mais reveladora" para provocar e desconcertar e, por fim, tentou aliciar os servos para convocar vassalos instáveis de Lançassolar contra seu pai. Ainda assim, vimos Arianne realmente arrependida em seus pensamentos, especialmente por Arys e Myrcella, demonstrando que ela não é uma pessoa incapaz de aprender.
Em verdade, neste momento ficamos cientes de que a cena em que a princesa convence o cavaleiro real a trazer Myrcela a Pedramarela só é contada sobre o ponto de vista de Arys porque GRRM não queria entregar os pensamentos de Arianne, tanto em relação aos seus sentimentos para com o Guarda Real quanto sobre Doran. De fato, como ficamos sabendo em A Princesa na Torre, por baixo da aparência de manipuladora maliciosa, Arianne é um poço de sentimentos contraditórios e compaixão.
Contudo, Arianne falhou em entender as lições que seu pai tentava lhe ensinar enquanto ela esteve presa. O jogo de Cyvasse e os livros sobre leis de Westeros, dragões e a Estrela de Sete Pontas foram colocados ali para que Arianne pudesse entender as palavras que seu pai temia pronunciar em voz alta. Ao invés disso, Arianne continuava a se comportar como a Princesa na Torre, a donzela em apuros, convocando salvadores contra seu carcereiro. "Isso deverá trazer os heróis correndo", ela pensou ao redigir sua carta para Lorde Fowler.
Se a mantive na ignorância durante esse tempo, foi só para protegê-la. Arianne, sua natureza... Para você, um segredo era apenas uma história especial para murmurar a Garin e Tyene à noite, na cama. Garin mexerica como só os órfãos são capazes, e Tyene não guarda segredos de Obara e da Senhora Nym. E se elas soubessem... Obara gosta de vinho demais, e Nym é muito chegada [às gêmeas] Fowler. E a quem [as gêmeas] Fowler poderiam fazer confidências? Não podia correr o risco.
(AFFC, A Princesa na Torre)
Assim, Doran deixou Arianne presa tempo o suficiente para que a raiva, a vontade e a fantasia passassem. E a verdade surgiu apenas quando Doran precisava de Arianne para manipular Myrcella.
ARIANNE, A PRINCESA DOS ESPINHOS
Em A Dança Dos Dragões, vemos os efeitos construtivos da transparência entre Doran e Arianne. Pai e filha parecem agir coordenadamente para aparentar normalidade na corte e converter as Serpentes de Areia mais velhas em aliadas e todos vão para os Jardins de Água.
[SPOILER TWOW]Quando a carta de Jon Connington pedindo a Dorne por ajuda, Doran confia a tarefa de avaliar as forças de Aegon e a presença de Dragões a Arianne, muito embora Arianne não conheça nenhum dos dois homens. Mais curiosamente ainda, Doran forma uma comitiva de estranhos (semi-estranho no caso de Daemon Sand), que nunca viram Aegon ou Connington também. Dessa forma, o objetivo declarado de Doran é parcialmente impossível de ser cumprido. Somente levar olhos para procurar por dragões justificam a viagem.
[SPOILER TWOW]Mas a comitiva em si é curiosa. É formada por pessoas não nobres, com algumas ligações com Oberyn e nenhuma intimidade com Arianne. O caso de Elia Sand é o mais acentuado: a garota é impulsiva como Arianne, talvez um presente de grego de Doran para funcionar como espelho e testar a força de vontade da filha.
[SPOILER TWOW]Mas ainda assim, levar Elia para o meio de uma terra invadida é estranho. Elaria declara que está espalhando suas filhas para aumentar a chance de sobrevivência, porém isto não parece uma tática eficiente. Será que há aqui algum objetivo implícito o qual Arianne deveria compreender durante a viagem? Quem sabe.
[SPOILER TWOW]Com Daemon, há também um objetivo. O cavaleiro tem uma natureza cínica e se tornou imune às seduções da Princesa. Como ele é bonito, pode ser um instrumento fácil para que ela desenvolva uma abordagem realista com seu objeto de deseja, que aprenda a repreender seus instintos e aprender as reais intenções por trás da beleza. Como Arianne avalia que Jon Connington será difícil de seduzir Daemon funciona como um treinamento.
[SPOILER TWOW]De toda forma, em Ventos do Inverno, Arianne ainda está se equilibrando entre sua velha personalidade e as novas lições. Doran fica de pé para se despedir dela como se para fixá-las na memória da filha. E ela realmente agora fala de guerra com um tom funesto, e diz sentir pena de Elaria porque todas as suas filhas saíram a Oberyn (uma mudança significativa de percepção).
[SPOILER TWOW]Até mesmo quando traça paralelos entre Doran e Jon Connington, ela diz que este último deve ser perigoso, de certa forma aludindo que a sutileza do Pai também o torna perigoso. Arianne, inclusive, fica mais dada a silêncios e prefere as deduções às perguntas, chegando a fazer uma bem fundada troca de palavras com Lysono Maar.
[SPOILER TWOW]Porém, durante toda a jornada ele cobiça e flerta com Daemon. Em certo ponto, começa a perguntar por Viserys Targaryen, como que para fantasiar com o homem que estava prometida (muito embora ela afirme que agora é uma mulher, não uma menina que sucumbe para garotos bonitos), o que se confirma quando passa a maldizer Daenerys por tê-lo deixado morrer. A decepção com a aparência de Lysono Maar pode ser uma enganação, pois Lysono tem uma aparência feminina, e talvez quando veja Aegon, o contraste o torno excitante à Arianne.
[SPOILER TWOW]O mais interessante é que Arianne tenta se convencer que agora ama e quer o irmão de volta (o que Daemon, cético, nega). Na verdade, parece que ela quer compensar seu pai pelo estrago que causou e considera que Quentyn seria o meio para isso. Talvez, então, quando notícias de sua morte pelos dragões de Daenerys chegarem, ela passe a se opor à Rainha Dragão.
[SPOILER TWOW]De fato, muitos acreditam que o que está reservado para o futuro de Arianne é a paixão não correspondida com Aegon (uma novidade para ela) e que ela assumiria o papel da fazedora de reis. Assim, "A Princesa e a Rainha" não seriam apenas o título de uma novela de Martin, mas papeis que seriam repetidos na nova Dança dos Dragões.
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2019.09.30 20:47 MundodaAvaliacoes como puxar assunto com uma mulher

Se você quer saber como puxar assunto com uma mulher e é tímido, esqueça este passado.
A seguir, você verá as melhores ideias para iniciar um assunto com qualquer garota, seja na rua, na escola, trabalho etc.
Por isso, confira agora mesmo a primeira dica e como ela funciona na prática!

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2019.09.03 18:25 MundodaAvaliacoes Como Seduzir um Homem/Mulher - A Regra de Ouro da Seducao e dos Relacion...

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2019.09.03 18:24 MundodaAvaliacoes Como Seduzir um Homem/Mulher - A Regra de Ouro da Seducao e dos Relacion...

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2019.09.01 14:12 MundodaAvaliacoes Metodo para Iniciar uma Conversa Sem se Ignorado! INFALÍVEL!

Nem todos temos a mesma facilidade, Algumas pessoas não sabem como iniciar uma conversa, e muitas vezes, deixamos escapar a oportunidade de conhecer alguém incrível ou de nos aproximar dela.
O que fazer neste caso?
Veremos a seguir as melhores dicas para que você aprenda como puxar assunto, independentemente da situação e oportunidade que você tem. Sendo assim, confira agora mesmo!
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2019.07.13 15:33 poder-da-seducao Como seduzir um Homem

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2019.04.22 06:45 CompadredeOgum O caso do STF e as fake news: por que temos de ser ortodoxos!

O caso do STF e as fake news: por que temos de ser ortodoxos!

*Por Lênio Streck no Conjur
O assunto exige uma coluna mais longa. Um néscio diria “lá vem textão”, palavra usada por quem gosta de resumos e resuminhos. Peço paciência, pois, pelo “textão”. Tenho clamado há décadas por uma ortodoxia constitucional. Sou jurássico, como dizem meus amigos e alunos. O dinossauro mais antigo do mundo é da minha terra, Agudo, chamado Bagualossauro Agudensis, fóssil encontrado cerca de 3 km de onde nasci.
Constituição é um remédio contra maiorias. E o Supremo Tribunal é um instrumento contramajoritário. O primeiro erro é falar em ouvir a voz das ruas. Falar nisso é sufragar o velho “dualismo metodológico” de Jellinek e Laband, pernicioso para a democracia.
O que é isto — atender aos reclamos da sociedade? O que é isto — a “realidade social”? É o Kajuru bradando da tribuna? É o general de pijama esculhambando com o Judiciário? Ou é um procurador da República falando em apedrejamento do STF? Ou, ainda, quem sabe, é um deputado falando em fechar o STF com um jipe e dois soldados?
O articulista do Jota, Thiago Anastácio, faz interessante análise sobre o fenômeno. Ao criticar o falso “diálogo” judiciário-voz das ruas, diz ele, eis o resultado:
O impeachment de quatro ministros do Supremo Tribunal! O motivo: conceder habeas corpus para pessoas responderem aos processos em casa. Infelizmente, a falta de bom senso e de conhecimento sobre nossas leis, tudo isso como resultado esperado e almejado de um processo de ignorância de décadas (ou de séculos), agora atinge patamares maiores. Atônito, vê-se um senador da República, em vídeo, afirmando que o patrimônio amealhado por um ministro do STF é fruto das “sentenças” que ele vendeu. E mais, que muitos políticos são seus sócios e por isso são protegidos.
Não bastasse, o senador bradou por mais: disse que depois de Gilmar Mendes, viriam os “Lewandowski” da vida. É a típica sanha dos desvalidos de cultura e mancos da moral.
(...) Antes da retórica falha, circense e frouxa, que ao menos se estude e seja entendido que o Supremo Tribunal Federal, pois assim quer a lei, não permite a prisão de pessoas antes de serem julgadas. Apenas em casos excepcionais isso ocorre e tanto Gilmar, como Lewandowski, como Fachin e Barroso soltam desvalidos e ricos todos os dias. E acredite-se: soltam pouco. Muitas pessoas estão presas preventivamente ou já condenadas injustamente nesse país.”
Sigo eu: Ouvir a voz das ruas é o quê? Ouvir a voz da neocaverna? Platão foi o primeiro a denunciar as fake news, quando disse que as sombras são sombras. E o cara quem foi lá fora e viu a luz foi apedrejado. No mundo da neocaverna, qualquer idiota vira cientista político. Ou jurista.
No Direito também é assim. Falar em Direito hoje ofende. Falar em garantias é (sic) defender a impunidade. Absolver um réu? Bah, isso é conivência com o rime. Advogado que defende bandido, bandido é, dizem muitos neocavernistas. Conceder habeas corpus? Nem ousem, senhores ministros. Porque lá vem pedido de “impitman”. Aliás, ontem a coisa estava fervilhando no Senado. Querem “impichar” ministros do STF. Bom, se o fizerem, será como em um tiroteio: depois do primeiro tiro, já ninguém sabe quem está atirando e em quem...!
Insisto: Falar em ouvir “a voz das ruas” dá nisso. O pior é que “as ruas” (sic) acreditam que podem mais do que a Constituição. Brincando disso, vem o Conselheiro Acácio: as consequências vêm sempre depois. Ah, vem, mesmo!
Ortodoxia. Essa é a palavra. Essa é a ação necessária. Não se desviar da lei. Nada de usar o CPC para interpretar o CPP, comparando antecipação da pena com prisão por alimentos ou quejandos. Onde está escrito x, leiamos x. E então seremos democratas. O resto é uma barata teoria política do poder. Uma teoria tipo “filme trash”, em que se pode ver o zíper da fantasia do monstro.
Aceitar voz das ruas, aceitar xingamentos sem tomar providencias pelos – atenção - canais legais no momento oportuno dá nisso que está aí. Deu tudo errado.
No imbróglio todo, a Procuradoria Geral da República passou a invocar o que, vejam só, sempre o MP tem negado: o sistema acusatório. Pau que dá em Chico, dá em Francisco, pois não? Até mesmo procuradores agora entram com habeas coletivo para evitar que o sempre “querido e preferido sistema inquisitório”, que tanto a maioria do MP defende, possa bater em suas costas. E o socorro viria de onde? Fácil: Do maldito sistema acusatório. Nada melhor do que um dia após o outro...!
É aquela coisa: as garantias nunca parecem tão necessárias... até o momento em que somos nós que precisamos delas, não é mesmo? Esse é o ponto. Comparar garantismo com impunidade é típico de um país em que la ley es como la serpiente, que pica somente os descalços.
Enfim. Sigo.
É isso que envolve a questão da Revista Crusoé e os mandados de busca e apreensão no caso dos “atiradores do STF”, gente useira e vezeira em esculachar a Suprema Corte e seus ministros a partir das neocarvernas de twitter, faces e uatzapi.
Qual é o problema? Qual é jogo dos diversos erros? Fake news são uma praga. Têm de ser combatidas. Com vigor. O anti-intelectualismo está ancorado nas fake news. O obscurantismo só sobrevive nessa era pós-verbo, em que se diz qualquer coisa sobre qualquer coisa.
Então, repito, qual é o problema? Eis o primeiro erro: é que o STF, vítima, não pode confundir os dois corpos do rei (falo de Kantorowicz[1]; há uma coluna minha — se tiverem a paciência, leiam — explicando o que é isto, os dois corpos do rei[2]). Se o STF (ou um de seus ministros) é vítima, não deve, ele mesmo, investigar e “processar”.
Permissa vênia, o artigo 43 do RISTF, usado para sustentar e abrir de ofício a investigação tem um problema de não recepção constitucional. Isso em uma análise paramétrica. Em uma análise ordinário-substancial, ele mesmo não dá azo a que o próprio STF investigue fatos que não ocorreram na sede ou dependência do STF. Ou seja: o dispositivo não foi recepcionado e, mesmo lido com validade, não dá essa abrangência. Não encaixa.
Outra questão relevante, e que me faz invocar o caso Marbury v. Madison, é a redação do artigo 102, I, da Constituição, que trata da competência originária do STF para “processar e julgar”. Não há qualquer menção que poderia dar azo a que o artigo 43 do RISTF pudesse estar recepcionado. Não podemos interpretar a Constituição de acordo com o regimento interno. No caso Marbury v. Madison, a Constituição dizia: a US Supreme Court é um órgão recursal. Ponto. E a Lei veio dizer que à Corte competia julgar “mandados de segurança”. Resultado: a rigidez da Constituição afastou a lei que disse mais do que a Carta. Veja-se, para reafirmar minha tese, que o artigo 102 chega a falar em processar e julgar membros do Congresso “nas infrações comuns”, mas, atenção, não fala em instaurar e instruir inquéritos policiais.
Ademais, lembro que o STF já havia deixado claro, na ADI 1.570, que o juiz não pode investigar crimes, ao dizer a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei 9.034/95 (lei do crime organizado). Na ADI, afinal, o Supremo retirou “o poder investigatório dos juízes”. Se precedente valer, então estamos em face de um easy case.
Não fosse por nada, há ainda o artigo 231 do próprio RISTF, que manda que se remeta autos e etc. ao seu destinatário, o Ministério Público.
E não se diga que caberia ação penal subsidiária da pública face ao pedido de arquivamento da PGR não aceito pelo STF, ontem, dia 16. A tal ação subsidiária só cabe — e o STF já disse isso de há muito — quando existir inércia do MP. E, no caso, pode haver de tudo, menos inércia da Dra. Dodge.
O STF, portanto, comete erros nessa questão toda. Penso que viola a Constituição e sua própria jurisprudência. Talvez um pouco tardiamente, Raquel Dodge busca preservar a parcela de soberania do MP, qual seja, a prerrogativa de ter a última palavra em matéria penal, o que, somado com o sistema acusatório, impede de o STF de (i) investigar e (ii) negar uma promoção de arquivamento. É assim que funciona o sistema jurídico. Não se pode obrigar o PGR a fazer uma denúncia. Bom, pelo menos isso nunca ocorreu até hoje.
De todo modo, bem que Dodge poderia ter dito tudo isso de outro modo: o STF não pode abrir inquérito de ofício e não pode investigar conforme precedentes da Corte; OK., então, mandem-me o material todo e examinarei. Se for o caso, depois de um olhar cuidadoso, proponho diligências ou ação penal. Não deveria ter dito, precipitadamente, que não há elementos para a ação penal. Há vários modos de dizer as coisas, como o sujeito que, não podendo dizer que seu pai fora enforcado, escreveu: meu pai estava em uma cerimônia pública e, de repente, a plataforma cedeu...
O que não pode ocorrer é a transmudação do velho artigo 28, esse, sim, recepcionado, porque garante a parcela de soberania do órgão acusador em um sistema acusatório. Dizer o contrário compromete o funcionamento do sistema.
Numa palavra, penso ser despiciendo dizer que, sim, temos a prevalência do sistema acusatório desde 1988, embora, na prática, ainda haja investigações de ofício e o MP aja, cotidianamente, como órgão inquisitivo (venho sustentando isso de há muito e, lamentavelmente, sou voz mais solitária do que gostaria).
Mas, como vimos, a partir de agora temos um turning point no direito brasileiro: por obra da peça assinada pela PGR Raquel Dodge (aqui) e pelo habeas coletivo (aqui) firmado por um grupo de procuradores da República, a partir de agora — alvíssaras — efetivamente vige o sistema acusatório. Nunca mais falaremos em inquisitivismo — a não ser, é claro, que o STF diga que o que prevalece é o sistema inquisitivo. E, a não ser, é claro, que o Ministério Público volte atrás no que disse. Vamos aguardar.
O paciente zero
De todo modo, insisto: tudo começou — o nosso paciente zero — porque começamos a dar voz às sereias (lembrando Ulisses e sua volta à Itaca). Tudo começou porque nos deixamos seduzir pelo canto. As sereias são como as Eríneas d’As Eumênides, de Ésquilo, as deusas do ódio e da raiva. (Deusas estas que, hoje, se mudaram da mitologia grega para... as redes sociais. Deu nisso.)
Vocês sabem, aquele que não diz nada, que não quer se indispor, é acusado de ficar em cima do muro. Acho que posso dizer, então, que aquilo que sempre defendi impõe a mim, nesse momento difícil, a responsabilidade de fazer justamente o contrário. Estou derrubando o muro. Porque, afinal, vejo problemas dos dois lados. Os problemas da parte do STF são óbvios, e são exatamente esses que eu disse: a assunção do papel de vítima, investigador, acusador e julgador, tudo ao mesmo tempo.
(Nesse sentido, foi bem a Folha em editorial: “Não há dúvida de que grupelhos truculentos alimentam um ódio insidioso contra o Supremo. Não há dúvida de que procuradores da Lava Jato com frequência extrapolam de suas atribuições e fazem jogo subterrâneo contra magistrados. Mas a perseguição ao que for delituoso nesses comportamentos precisa ocorrer dentro das garantias da Carta — sob pena de não se distinguirem mais caçadores de caçados na selva do autoritarismo”.)
Só que há também o outro problema, do outro lado, e o reconhecimento de um não anula o outro: as fake news e a relativização da verdade; uma campanha óbvia e deliberada pela fragilização institucional da Suprema Corte; um sistema inquisitório de conveniência por parte de alguns procuradores. Não podemos aceitar a fragilização da Suprema Corte!
E tomemos muito cuidado: muitos que hoje defendem a liberdade de imprensa, ontem mesmo defenderam a ditadura e, paradoxalmente, querem até o fechamento do STF. Fiquemos atentos: há um ataque contra umas das condições da democracia: o guardião da Constituição Federal.
O que há de comum em tudo isso, e qual é o elo que une os erros dos dois... antagonistas nessa questão? Exatamente a falta de ortodoxia, porque ortodoxia significa obedecer a critérios. Criteriologia. Essa é a palavra, e é isso que tem faltado.
Não há critérios por meio dos quais se possa construir uma autêntica teoria da decisão, uma robusta epistemologia que sustente o Direito brasileiro. Voz das ruas, eríneas, sereias, neocarvernas: vadre retro. Contramajoritarismo neles. Ou isso ou o caos. Daí a necessidade de ortodoxia aplicacional da Constituição. E nesse ponto o Supremo precisa “se ajudar”.
E o pior? Não precisava de nada disso. Nada disso seria um problema. Nada, absolutamente nada disso aconteceria... se tivéssemos critérios. Firmes. Se a verdade fosse a verdade, se generais de pijama não ocupassem seu tempo tentando desestabilizar as instituições do país... se o Supremo Tribunal Federal fizesse, desde o princípio, aquilo que deve fazer: fazer valer a força normativa que tem a Constituição.
Para vencer as eríneas (isto é, “voz das ruas”, dualismos falaciosos e quejandos), temos que usar do remédio contra elas, as maiorias: aquela coisa velha que é a Constituição. Aquilo sobre o que o Capitão Rodrigo, no mais que clássico O Tempo e o Vento, fala para seu interlocutor em um boliche nos anos 20 do século XIX, logo após a revolução do Porto: “Ouvi falar que lá pelas bandas de Portugal estão fazendo uma Constituição.” Perguntado sobre o que era a isso, respondeu: “Constituição? Ora, é uma lei que manda obedecer às leis. Bueno, você sabe...”. Bingo!
Bom, ortodoxia quer dizer: obedeçamos a... Bueno, você sabe.
Portanto, muito cuidado, muita calma nessa hora. Se o STF errou, se o MP até hoje apostou no inquisitivismo, se o STF erra, que sejam criticados quando assim o for. Mas não nos esqueçamos que a fragilização institucional, vigorando a tese do soldado e do jipe, impeachment etc., só interessa a quem não tem apreço pela democracia. É o exército de mercenários que, ao não conquistar o castelo, queima as plantações na volta para casa. Democracia é accountability, e isso vale também para o STF; mas accountability não significa fechar a Suprema Corte, distribuir impeachment como se distribui notícia falsa no WhatsApp.
De uma crítica legítima não se deriva que o ministro que concede um HC nos termos da lei e da Constituição é um “defensor de bandidos”, “corrupto”, que “vende sentenças”. Responsabilidade: institucional, política, crítica.
Um pouco de prudência não faz mal a ninguém. Mas sem perder a ortodoxia jamais!
[1] KANTOROWICZ, Ernst H. The King’s Two Bodies. Princeton: Princeton University Press, 1997 [1957].
[2] Sugiro também que vejam MCILWAIN, Charles H. The High Court of Parliament and its Supremacy: An Historical Essay on the Boundaries Between Legislation and Adjudication in England. Whitefish: Kessinger, 2007, pp. 389 e seguintes.
ps.: sim, Lenio Streck escreveu "vade retro" errado.
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2018.05.19 15:38 rodrigoablima Livro: Alfa e Ômega - Uma Aventura nas Profundezas da Divindade Humana

CAPÍTULO 1 - A FUNDAÇÃO
Há incontáveis eras, um grupo de anciões, vitoriosos de batalhas anteriores, decidiram criar uma nova existência, pois se esgotaram as possibilidades e o mundo se tornou previsivelmente insuportável e tedioso. Além disso, em sua sabedoria acreditavam que, como antes, seria necessária uma renovação, bem como o desapego, aos resquícios e memórias do passado. A estes senhores, de nomes impronunciáveis com nossas gargantas primitivas, chamaremos de Arcontes da Alma, os famigerados Pais Arquetípicos, conhecidos na mitologia judaica como Elohim. Dentre estes senhores havia um que se destacava, por seu amor e justiça, sendo a expressão exata do Elevado, aquele que conheceu a primeira criação de todas as criações. Valente guerreiro e pai amoroso. O Verbo e Senhor dos vinte quatro Arcontes.
Sentados, em seus tronos, conversavam e planejavam os eventos que seriam vividos na nova origem. O lugar onde estavam era de beleza única e com uma atmosfera de poder e glória jamais imaginada por mortais, como eu e você. Um lugar que assusta e atemoriza qualquer criatura, impondo respeito aos seres das alturas, ou dos mais baixos abismos.
Todavia existia um lugar de maior significado e peso, um lugar inviolável, o santíssimo lugar, a morada do Eterno. Apenas o Pai e Filho do Verbo poderia adentrar neste ambiente e o fazia somente em ocasiões únicas, em importância e necessidade. Ali residia o Misterium Tremendum que nenhuma criatura ou Elohi poderia conhecer e compreender em sua plenitude, apenas o Elevado e seu unigênito comungavam daquele lugar. Uma casa, uma casa de carne, pois diziam que era o cordis ou o útero da criação.
Um enigma foi proposto, por um dos arcontes para servir como busca e sentido à nova existência, entretanto por mais que se esforçassem não conseguiam encaixar as peças, neste quebra cabeça cósmico, para dar sentido real, sabor e abundância de vida aos novos entes.
O Verbo teve que intervir, pois todos haviam percebido que fazia se propício ao Unigênito entrar na câmara santíssima e ali, diante da Presença Eterna conversar com o Inefável, em busca de algo que pudesse trazer abundância de vida aos neófitos.
Então, os enviados serventes da recamara do rei receberam ordens para preparar e purificar o átrio do templo célico, e assim o fizeram. Estes servos, os homens chamam de anjos, mas nada mais são que seres enviados para uma missão especial. Um destes Gadreel, que em hebraico pode ser escrito como ?????, também conhecido como Azazel, é a origem de muito conflito e debate. Certamente seu real título, princípio e incepção estão envoltos em mentiras e sombras. Nenhum mortal, e até mesmo seres imortais, podem afirmar com certeza sobre algo que teve o embuste como razão de ser, embora nada passa despercebido e impune pelo Eterno.
Enquanto realizava os preparos para consagração dos átrios e vestíbulos reais sua atenção foi desperta por uma pedra vermelha, um seixo de jaspe carmesim usado nas vestes sacerdotais pelo Verbo. Quero deixar claro que muito do que acontece aqui não poderia ser descrito com linguagem e palavras humanas se respeitada sua exatidão. O certo é que o que foi me passado e permitido lhe exponho da melhor forma que minhas mãos escrevem e minha mente concebe, por isso faço uso alegórico, dos eventos agora relatados, pois sem os quais jamais poderia escrever. Por isso, creia no conteúdo e não na forma, como conselho, prezado amigo, haja sempre assim, na vida, geralmente o contorno é enganoso embora a essência liberte. Se não fizeres isto, de um jeito ou de outro, aprenderás que as palavras nada dizem, todavia o que fazemos com elas sim.
Então, possuído de cobiça, apeteceu possuí-la, pois conhecia o propósito e sabia que facultaria habilidade de abrir portais e poder sobre as trevas, corrupção e mal, se usada sem consentimento e vontade do Verbo, pois em seu coração deixou entrar a dúvida sobre a bondade divina. Sem muito pensar, tomou-a para si, colocando outra de sárdio, semelhante em forma, em seu lugar. Leitor cabe aqui lembrar, que o ocorrido, apesar de não aprazer a Aquele que É, foi planificado por Ele antes de todas as Eternidades, nas eras ocultas em Deus e no Cordeiro (O primevo Æion, Kairós do Ego e do Ser) e quando terminar tu verás que falo a verdade.
Neste momento, um Mal Antigo foi desperto, transformando interior deste anjo, que agora chamaremos de Inferno, עזאזל em hebraico, pois como narrado antes, se mal-usado o Jaspe Carmesim, que simboliza o sangue do Cordeiro, porque quem o toma e usa, o faz para sua própria condenação, se não empregar o discernimento por meio Daquele que é o alimento da alma. Uma porta foi aberta e o Inferno a habita e é habitado por ele, o Filho da Perdição.
Que fique claro que o erro deste grigori não foi possuir a pedra, mas ser ladrão de algo que é livre a todo aquele que pedir ao Pneuma. O erro é a escravidão do espírito, pelo ego, que não se é refreado pelo Verbo. Neste momento, o horror primevo, entrou no corrompido anjo guardião dos aposentos reais.
Uma terrível tristeza abateu sobre o Verbo. Podia-se ver claramente no semblante do Cordeiro que algo muito sério o afligia. Porém, Ele sabia que era anseio do Eterno e conhecia muito bem os desígnios do coração de Deus. O Eterno, também estava aflito e pesaroso, pois isso não era de sua vontade ativa, mas permissiva.
Tudo foi preparado para o momento. E o Cristo entrou no santuário onde até os anjos temem ir. Ele vestia a indumentária sacerdotal completa. A Estola Sacerdotal ou Éfode uma peça parecida com um avental, confeccionada nas cores azul, púrpura, carmesim e o branco de linho fino retorcido. Sobre o Éfode um peitoral com as doze pedras, que representam os fundamentos que sustentam toda criação. Na cintura partindo do umbigo uma espécie de cordão de prata ligava as vestes ao cubo, o cubo de Metatron, uma máquina que permitia a entrada no santíssimo lugar, e assim, entrar em contado direto com o Arché. Arché é a substância primordial, constituinte de toda matéria do universo. Na verdade, Arché é um número que quando em execução conjunta com o cubo de Metatron possibilita a entrada no console fundamental que fornece uma interface para a criação da realidade. Uma vez conectado a máquina a realidade percebida pelo sumo sacerdote é mudada e este pode entrar no módulo de construção, uma espécie de programa de computador que funciona como um ambiente integrado que facilita a criação de realidades extraídas da lógica do número (ou programa) que inspira a vida.
Permita-me amigo explicar-lhe melhor o que é o Arché, também conhecido como unidade divina. Ele não é apenas um número qualquer, mas o padrão da perfeição, uma seqüência harmoniosa que encerra dentro de si todas as criações possíveis. Embora bastante próximo de Deus o Arché não é Deus. Podemos dizer que Deus é pleno quando o Verbo, a Lógica e a Materialidade trabalham em prol do sentido existencial, o tempero da vida, o Amor. O ator do Verbo é o Cordeiro, o ator da Lógica é o Arché e a Matéria é fruto da máquina de Metatron. Embora não percebamos todas as vezes, os três são e estão em Um e são vistos em plenitude no homem, mais corretamente no Filho do Homem e neste, sempre trabalham em Amor, afinal Deus é Amor!
Após todos os preparativos realizados então o Verbo adentra o santíssimo lugar. Imediatamente sua fisionomia se transforma. O módulo arquiteto estava carregado e o link foi estabelecido. Todo poder criativo de Deus estava ao dispor do Verbo, assim como, uma via de largura de fluxo inesgotável fornecia a comunicação direta entre Pai e Filho. Amigo, você deve estar perguntando por que essa conexão se fez necessária, visto que Pai e Filho são um, posso citar vários motivos, mas dois se destacam.
O primeiro é que nem sempre o Filho quer e precisa de todo poder criativo divino, há momentos que isso não se faz necessário nem desejável, lembre-se que o Filho nunca usou poder desnecessariamente. Ele nunca precisou de pirotecnia para mostrar sua identidade, poder e glória.
O segundo é que Ele, sempre quis se comportar como humano, deixe me explicar com um exemplo. Um alpinista poderia escalar uma montanha com um equipamento que facilitasse ao extremo a conquista do cume da montanha, podendo se quisesse subir até lá de helicóptero. No entanto que graça teria isso? E lembre-se a chave da vida está na graça. A graça é o Amor, divinamente humano e pessoal, em Movimento. Sem movimento, não há graça. Sem isso a vida se torna o “Trabalho de Sísifo”. Vazia, oca, sem sentido e niilista. O Verbo vivo deseja que a criação se pareça com a história arquetípica dando forma, beleza e sabor em abundância. A limitação torna as coisas mais interessantes. Embora haja sacrifícios e sofrimento, ao final, quando o montanhista tem a magnífica visão do fruto de seu esforço ele diz, valeu a pena!
Há uma terceira razão, também importante, mas em momento propício, querido neófito, lhe revelarei. Por agora basta dizer que nem todos têm fé a ponto de mover montanhas e nem só o Verbo pode usar a máquina de Metatron, mas só ele pode ir ao Aleph Santíssimo e compreender o mistério e causa da Vida.
Depois de tudo preparado, Adonai inicia seu trabalho. Como de igual maneira, em todas as criações, a primeira criação é a luz, então em um grito catártico, Fiat Lux, e a luz foi feita. A partir deste ponto não preciso entrar em detalhes, pois você conhece o desenrolar dessa história. Quero apenas focar em um ocorrido, e farei isso nos parágrafos seguintes.
***
O grigori ladrão da pedra, não era o mais forte dos anjos, porém o mais astuto e hábil na arte do falar e convencer. Ele sabia que seus dias celestes estavam por se findar e pouco tempo teria antes que fosse derribado. Além disso, as trevas em seu interior cresciam rapidamente, sempre a clamar por sangue, morte e destruição. Ele precisava agir e ligeiro. Ele carecia de seguidores, mais isso seria impossível se não houvesse separação entre Deus e os Vigilantes Universais. Ele precisava se tornar o poder, o dínamo que separa. E se possível ele separaria até Pai e Filho. Ele semearia a semente da discórdia entre os anjos superiores. A fé na bondade divina deveria ser abalada.
Uma voz gutural sussurrou em sua mente – “A chave para as trevas é a morte e com a mentira triunfarás”. Ele ainda não havia percebido, mas o dragão, em seu âmago crescia devorando seu espírito dia-a-dia. E na biblioteca celeste seu interesse pelo conhecimento proibido das eternidades precedentes crescia, em especial sobre a figura dracônica. Ele não teve maiores problemas em obter tal conhecimento, pois era o responsável pela manutenção do acervo da biblioteca real. Justamente o anjo que devia manter os livros em secreto traía o designo divino. Isso foi apenas o começo.
Um prazer perverso enchia-lhe o coração. Ele se via maior que o Criador, o que lhe enchia o espírito de orgulho e prepotência. Então enfim a semente do dragão germinou em sua mente. Ele percebeu que o seu sim, não precisava ser sim e o não, não precisava ser não. E o engano o fez sentir livre como nunca antes. O primeiro fruto da semente do dragão foi à mentira. A mentira que falsamente liberta.
Munido de conhecimento oculto e proibido se aproximou de Samyaza, o querubim do trono. O único anjo que conhecia o nome completo de Deus, o Logos, palavra passe que concedia acesso ao cubo de Metatron para alteração da realidade. Era poderoso em guerra e belo em formosura, sendo considerado o sinete da perfeição. Fazia sua morada junto às pedras afogueadas. Seu poder militar e anjos seguidores rivalizava com os de Miguel. Samyaza, não deixava transparecer, mas em seu interior deixou crescer certa inveja por Miguel, pois julgava desnecessário dois generais celestes.
Gadreel possuído pelo dragão havia percebido a insatisfação do querubim do trono. Sucessivamente alimentava o sentimento ínvido de Samyaza. Tornaram-se amigos. Gadreel em momento propício convidou-o para a biblioteca celeste e lá comungaram de conhecimento proibido. O dragão em Gadreel era ávido em devorar o espírito e sabia que não poderia abastecer-se ainda mais de sua morada, pois acabaria por destruir seu aliado por completo perdendo-o na morte e na loucura. Incentivou-o com sussurros semi-conscientes a fazer o Pacto de Execrações, descritos nos livros do primevo Aion, relatado no terceiro capítulo, “A criação do Dragão”.
Tão logo as juras do ritual se concretizaram o dragão entrou em Samyaza, lhe despertando dúvidas sobre a bondade divina. Ele sabia que o que fizera era errado, mas sentia um gozo maligno ao ver o mundo com os olhos do dragão. Enganado acreditava que o mal também poderia ser um bom trilhar e que as trevas eram belas. Não conseguiu compreender que o mal só atrai-o para a morte, e ao final consumiria seu espírito. Cabe neste momento dizer-lhe amigo que Deus deseja que sejamos um com Ele, mas Ele respeita nossa essência. Já o dragão devora-nos de forma que não somos um, mas acaba por amalgamar de forma indelével sua essência em nosso imo suplantando-a pela a dele. Sobrando somente ele. Sua fome é insaciável. E seu apetite irrefreável. E suas vítimas acabam por sucumbir, sem perceber a mordida do vampiro das almas.
Então por que Deus criou o dragão? Veja que o dragão é mal, pois assim foi criado, ele foi homicida, promotor da morte desde o princípio, e com justiça será tratado no final.
Nós eleitos, desde a fundação do mundo, somos vitoriosos de eternidade em eternidade. Somos mais que vencedores. Porém o dragão e sua semente serão derrotados de criação em criação. Como o vilão que em sua desgraça merecida abrilhanta a vitória do herói. A derrota do dragão é motivo de festa daqueles que viveram pelo Verbo. Isso está em nossos corações, implantado em nosso inconsciente. É a história arquetípica escrita na primeva incepção. Na criação anterior o dragão foi vencido pela força... Nesta, porém, o nosso inimigo está em nós e não será vencido pela força ou poder, mas pelo Espírito de Deus. Se a luta será terrível, a vitória será imensa. A vitória, no entanto, revelará sim de modo esplendoroso que o santuário santíssimo tem lugar em nosso mais íntimo, em nosso EU SOU. Seremos e já somos coparticipantes da natureza de Deus. O Misterium Tremendum, o galardão final, daqueles que são fiéis ao Verbo, será revelado e conheceremos como também somos conhecidos. E Deus fará tudo novo de novo!
Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. No entanto, a presença do mal permite o agir do bem. O Cristo teve a oportunidade de demonstrar seu amor, que em graça se transformou vertendo seu precioso sangue. E derrotada foi à morte e seu aguilhão e veneno será por fim destruído. Em alegria seremos transformados e o que hoje são sombras e névoas no porvir serão cores vivas como as luzes da aurora no esplendor do amanhecer.
O Eterno trabalha com ciclos. Como disse o sábio “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”. Observe as estações do ano, os meses, as semanas e até mesmo os dias. Eles se repetem, mas sempre de forma diferente. A novidade não está exatamente naquilo que se vê, mas em como se vê.
Há tempo de destruição, de renovo, de trabalho, de descanso e neste fluir as eternidades passam. Ainda que em momentos de dor, mais perto chegamos do criador. Feliz aquele que achar mérito no autor das almas e para quem Ele disser, “Servo bom e fiel entra no teu descanso”. Nem todos adentrarão no descanso, pois com juras Ele disse “Não entrarão no meu descanso, embora fossem completadas as obras desde a fundação do mundo. ” Pois em certo lugar disse assim acerca do dia sétimo: “E descansou Deus no dia sétimo de todas as suas obras”. Pois aquele que entrou no descanso Dele, esse também descansou das suas obras, assim como Deus das suas. Lute por sua salvação, amigo, para que te aches no Espírito Eterno no dia em que Ele vir nas nuvens revelar as obras de suas mãos. O tempo é breve e já estamos no início do sétimo dia. Um dia para Ele são mil anos. Nosso tempo não é o Dele! E o homem é senhor do sétimo dia e reinará no milênio com o Cordeiro. Reino de justiça e paz.
Samyaza então revela a Gadreel o segredo do nome divino. Gadreel agora poderia entrar na nova criação divina e semear o germe do dragão. Entretanto havia um obstáculo. Como chegar ao santíssimo lugar, diante da presença divina, sem ser fulminado pela glória da visão sublime. Eles precisavam de algum artifício que pudesse ofender o Espírito de tal forma que este momentaneamente se ausentasse do sumo santuário. Precisavam conversar diretamente com o dragão e para isso usaram a pedra carmesim roubada. Assim, profanou a pedra de sangue para trazer do abismo ancestral o dragão. Munidos de poder profano conseguiram realizar a maior de todas as desonras, “O abominável da desolação” no lugar onde jamais deveria ser feito. Eu poderia relatar como e de que maneira isso foi realizado, mas o simples fato de mencionar tal hediondez é um sério pecado, por isso amigo, não entrarei em detalhes.
O dragão usou Gadreel para ocupar a serpente e então seduzir a Eva a comer do fruto do conhecimento. O dragão pôde então inserir no gênero humano sua corrupta semente. É por isto que alguns homens são verdadeiros demônios, sem qualquer tipo de compaixão ou remorso por seus atos. São filhos do diabo, promotores da morte e do engano, homicidas frios e insensíveis. Nos últimos dias, quando a ceifa estiver às portas, a distinção entre luz e trevas entre joio e trigo será fácil e assim os anjos terão pouca dificuldade em separar os bodes das ovelhas.
Nessa época, os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos seus pais, ingratos, ímpios, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Serão o reflexo do dragão trilhando o caminho da escuridão em profundas trevas. Do céu será revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Como disse o Revelador “veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.” Mas antes da primeira luz do dia raiar no horizonte, a noite tem que ficar mais escura!
Deus sabia qual caminho o homem iria trilhar, mas Deus nunca pune um pecado que você ainda não cometeu. Deus realmente queria que o homem fosse como Ele, não negando-lhe nem mesmo seus atributos criativos, a maior vontade de um pai e que o filho trilhe seu caminho. Mas Deus sabia que isso tinha um preço, um alto preço, pois Deus não seria tão irresponsável de dar a uma criança tamanho poder de uma vez, por que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe totalmente! Foi então que Ele, Deus, revelou seu plano ETERNO de SALVAÇÃO, o CAMINHO, pelo qual os escolhidos chegariam a DEUS, de forma a não se corromper! Deus plantou no jardim do Éden duas arvores, a do "Conhecimento do Bem e do Mal" e a arvore "da Vida". Nas regiões celestiais, o Satã, a inimizade, a sombra, também entraria nesse plano. Gadreel entrou na serpente e fez o homem escolher um caminho que não era a vontade do VERBO. Ele roubou a identidade do homem e autoridade sobre o mundo criando inimizade entre Deus e homem e entre homens e homens! E ainda fez parecer, que ele foi o bem feitor da humanidade, revelando um segredo oculto, o qual, segundo o diabo, Deus não queria que o homem soubesse! Mas tudo isso já havia ocorrido, em Deus, nas eras ocultas da ETERNIDADE.
Então DEUS faz a promessa, a primeira profecia, sendo o profeta o próprio Deus, "Um dia, um descendente de Eva, esmagaria a cabeça da Serpente" e ela, a serpente, feriria este homem no calcanhar! O problema é que agora, o ser do homem, estava corrompido e não refletia o EU SOU, o espírito de Deus, que diferencia os homens dos animais, havia adormecido, e a sombra (que na Bíblia é conhecido como carne – A semente do dragão) tomou seu lugar. A alma do homem se inclinou e inclina para o mal, porque a essência do dragão se ligou a ela, como já havia dito. Então, Deus no tempo certo, envia seu TABERNÁCULO, de carne, o VERBO abre o CAMINHO, do alto a baixo, rasgando o véu, o escrito de dívida, que separava DEUS do homem, se misturando com o homem de forma tal que não poderia ser separado. Uma guerra foi é e será vencida... Neste CAMINHO agora o homem tem em seu corpo duas essências conflitantes e que militam entre si, o ESPÍRITO e a CARNE. Por isso que Jesus, O VERBO TABERNACULADO, desce as profundezas trevosas do inferno e toma a chave da MORTE do diabo.
Tornando Ele, o cabeça dos principados e potestades (leia Colossenses 2 - atente para o versículo 10). Agora pelo sangue do cordeiro, o diabo (Gadreel), o dragão e satã (Samyaza) podem ser vencidos, porque Jesus é também senhor do INFERNO, como desde a eternidade foi, mas que a agora em plenitude se consumou! Por fim, Jesus ressuscita e então tem se inicio o tempo da graça. Neste tempo, todos que se alimentarem da Árvore da Vida, a Videira Verdadeira (leia João 15) e exercerem a autoridade de Cristo, sobre o mal, conservando seu Espírito Santo, serão arrebatados ou morrerão em Cristo, não experimentando jamais o dolo da segunda morte. E com o cordeiro reinarão pelos séculos dos séculos.
CAPÍTULO 2 - KAIRÓS
Quero contar aqui algo que ocorreu em um tempo fora do tempo. Quero falar da primeva incepção. É uma tarefa hercúlea, mas tentarei ... É certo que o Espírito Eterno, sempre ajudando e inspirando, está aqui... Que seria eu sem o Pneuma, meu amigo? Que preenche e transborda o coração daqueles que vivem pelo Cordeiro. Espero que Ele, enquanto você lê esses escritos, que encha até transbordar as palavras e a linguagem seja muito mais viva que apenas letras mortas num papel.
Antes do tempo existir existia o Verbo, como disse João, “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.”
Todavia amigo pode ter passado em sua mente... O que havia antes do princípio, não é mesmo? Bom, tenho duas respostas para você, a mais simples é: Só Deus sabe... É... Não te satisfez... Nem a mim... Queremos saber, né? Aqui vem a segunda resposta. Nem tudo é possível saber, pois não há uma resposta que cabe na lógica atual desta criação.
Deixa te explicar melhor, se algo é o princípio de tudo, não pode haver antes... Estamos acostumados a viver em Chronos, o tempo depois do tempo, mas aqui, como disse outrora, estamos em Kairós, um não-lugar fora do tempo e do espaço. Isso por que o tempo como conhecemos também é uma Criação do Eterno.
Há perguntas que nunca saberemos a resposta. E há perguntas que não tem resposta. E estas só Deus sabe, por que Ele sabe de tudo. Em alguns casos Ele revela seus mistérios, como aconteceu com Enoch, o sétimo depois de Adão, mas isso lhe custou um alto preço. Não por que Deus é como o poderoso chefão, a Cosa Nostra, que lhe mata por que você sabe demais. Isso acontece por que há mistérios que se revelados podem modificar de tal forma a psique e o corpo que simplesmente a existência é desfeita.
Como está escrito em Gênesis que Enoch andou tanto com Deus que já não o era mais, e Deus o tomou. Esse tomar de acordo com o Codex Aleppo é אתו. Esta palavra tem sido alvo de estudos judaicos conhecidos como midrashim. Midrashim, nada mais é que estudos rabínicos mais aprofundados, tentando preservar a exegese original, que as vezes pode ter se perdido com o tempo. E podemos dizer que extraindo sua definição do Codex Aleppo ou ainda dos “Manuscritos do Mar Morto” possui uma acepção que mistura os sentidos das palavras fundir, desfazer, coexistir e coparticipar em uma única palavra.
E há Verdades em Deus e Ocultos que são tão perigosos, ou melhor, temerosos, que se revelados fora do momento escolhido enrolariam o universo como um pergaminho na mão de um escritor. E nisso não há menor graça... Nem para Deus... Nem para nós... É como saber o final do filme, antes de assisti-lo. Embora aqui não saiba nem revele estes mistérios, cuidado... Você não será mais o mesmo após ler esse livro... Eu te garanto... Quando o recebi percebi isso! É... o autor escreve, mas também o recebe, nem que seja pelo ar (Pneuma)! Não é mesmo Teófilo... Não é, meu amigo?
Voltaremos a falar depois sobre Enoch, personagem muito importante, que o livro de Judas (não o Iscariotes) cita, inclusive com alusões ao terceiro Livro de Enoch, que segundo muitos pais da Igreja, como Orígenes, deveriam estar no Cannon Bíblico, mas não estão por que os Judeus Ortodoxos, pais da Torah, o baniram pois continha profecias que os deixavam incomodados com sua exatidão sobre a vida do único e verdadeiro Cristo, Yeshua, o unigênito Filho de Deus.
O judaísmo rejeita a crença de que Jesus seja o Messias aguardado, argumentando que não corresponde às profecias messiânicas do Tanach, justamente por que mutilaram a Torah retirando o referido livro.
Quero deixar claro que não sou anti-semita muito pelo contrário. Oro pelo povo judeu, pelas suas aflições, mas sei que muito do que acontece no mundo (coisas boas e ruins) tem algum dedinho judaico. Em algum lugar está escrito que este povo será como pedra no sapato das nações. E em outro sítio diz que todas as famílias serão abençoadas pelos filhos de Abraão. Mas é certo que de fato comandam toda mídia ou pelo menos boa parte da mundial, mas com certeza da ocidental. Principalmente Hollywood. Preste atenção e verás que falo a verdade!
Quero também dizer que nada escapa a vontade de Deus. E este o permitiu, pois vivemos no tempo da graça, mas quando chegar o tempo dos Judeus estes acordarão para a besteira que fizeram, quão vergonhoso será reconhecer que eles, enganados e iludidos, favoreceram o “Abominável da Desolação”, por sua grande teimosia em não aceitar o Verbo Tabernaculado, Jesus de Nazaré. Sempre há um propósito oculto nas ações do Eterno. Principalmente na progressão do desvelo da verdade sobre o que e como se dará o desfecho de tudo. E o livro de Enoch terá importância ímpar neste processo.
Continuando... Posso dizer, ainda que grosseiramente, que Kairós é um lugar na mente de Deus, mais ou menos, como a imaginação humana, porém com realismo e detalhe maior que nosso mundo. Kairos é Deus descobrindo Deus e brincando de esconde-esconde com seu Filho e envolvendo e sendo envolvido pelo Espírito Santo. É como uma família, em seus momentos mais íntimos.
Bom... Para facilitar diremos que a primeira criação de Deus foi Deus. É como acontece no sistema de Boot de um PC. Deus cria Deus, ou melhor gera Deus. Deus na pessoa do Pai, cria o Filho, o Verbo. A BIOS de seu PC, ainda é seu computador, porém ela é o que dá o arranque em todo sistema computacional.
Por um prisma a vida pode ser vista como relacionamento. E não há relacionamento na Unidade Absoluta. Isso por que, relacionamento se expressa por pelo menos duas entidades. Deus só se relaciona com Deus em sua trindade. Entretanto, em Kairós, inicialmente só existia Deus UNO.
No princípio, havia o SER, o Verbo... Simples, compacto, total, denso e pontual. O “SER” neste ponto está impessoal e no infinitivo. Como o espectro da luz branca que carrega em unidade todas as cores. Não há o Eu, ou qualquer outro pronome, muito menos tempo verbal e ação. Apenas a existência. Embora não lhe faltasse cor alguma, faz parte da beleza de Deus compartilhar o que Ele tem...
É aqui que usar a linguagem, com suas limitações, torna tudo mais complicado. Se necessário releia esta parte. Vamos a ela...
Não havia nada, muito pelo contrário, do nada, nada se tira. O nada nunca se aplica ao ser, por isto não é! O nada como figura de linguagem pode ai sim ser alguma coisa, mas isso agora não vem ao caso. Nunca chegarei a um somando apenas zeros. Para o zero, o um é infinitamente grande, pois nem mesmo com infinitos zeros, chegamos a um. Mas com uns e zeros eu percorro o infinito. O sistema de numeração mais básico é composto de apenas dois números ou estados. Zero e Um. Ligado e Desligado. Vivo e Morto. Com estes dois dígitos posso expressar infinitos números... Ou estados... Mas o zero, ainda que seja o menor número expressando quantidade não é nada. Afinal o “é” pode lhe ser aplicado, pois este É um número.
Então o SER se esvaziou até morrer. A primeira morte é o vazio... Embora essa morte não seja a morte verdadeira... Algo como mergulhar num rio e voltar a superfície... Um batismo! Como um pai brinca com o filho com uma coberta fingindo e terminando com um put e se revelando.
As vezes esvaziar é triste e angustiante. As vezes trás alívio e gozo... Uma Catarse. Como os franceses chamam “La petit mort”. A pequena morte. Até Deus, apesar da dor de se esvaziar, sabia que o melhor é serem dois do que um! Morreu pois sabia que vale a pena morrer para que outros possam viver... Afinal... E a morte de Deus gerou o Filho. E assim dois estados ou entidades e um relacionamento em Espírito Santo.
Inicialmente esse relacionamento se processa como uma adição, uma soma, se preferir use a palavra do Codex Aleppo ???? para definir este relacionamento.
E o Filho falou... EU SOU! E um sorriso no rosto de Deus apareceu em alegria com as primeiras palavras do Filho... Ou seriam Suas? O que importa é que ele o Amou! Sim o primeiro sentimento de um relacionamento. O Espírito que une o Ser em Santidade! Agora Deus estava completo... Pai, Filho e Espírito Santo em Deus... Em Amor!
É amigo, na trindade as vezes não separamos quem é quem. Deus sabe bem expressar a palavrinha difícil, que significa fundir, desfazer, coexistir e co-participar, aquela do Codex, que da uma confusão doida na mente... Só posso dizer que a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana... Não é mesmo?
Quem nunca saboreou a cereja em cima do bolo fazendo um filho, não sabe o que é viver! A escritura afirma que o maior prazer aqui da terra é o menor dos que existem no céu! E deve ser mesmo, pois aqui cercados de pecados e de morte a expressão do amor, ainda que apenas erótico, é deveras agradável... Imagina como devem ser os relacionamentos no céu onde há pureza cristalina. Afinal o que temos aqui são apenas sombras, opacas como um espelho embaçado comparadas com o que há de vir!
Acho que estou ficando louco... Concorda?
Então continuando com essa sábia loucura... Deus, na Pessoa do Pai e Deus na Pessoa do Filho continuam um se entregando ao outro, enchendo e esvaziando, como um pulmão, renovando e purificando seu relacionamento, o Espírito de Sua Santidade que traz graça e sabor a vida, o Pneuma. Esse Amor, esse Espírito é o alimento da alma, da mente, de Deus, em Kairos, e também do nosso mais indissociável imo, o nosso EU SOU, o Arché citado no primeiro capítulo deste livro.
Quero deixar claro uma coisa. Deus é amor, mas o Amor, não é Deus. O amor, é o alimento, a fonte, o maná celestial que dá substância a matéria, mesmo que esse não a seja a matéria em si. Como disse Paulo em sua carta a Hebreus, “... entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível foi feito do invisível.” Em outras palavras, o que é físico, em sua essência, é feito daquilo que não está em Physis.
Seu fosse um cientista, e na verdade o sou, diria que a matéria não possui materialidade em si, mas o espaço, o oceano de Higgs é que lhe dá materialidade, como sua massa e densidade. O átomo é um imenso espaço vazio, com pequeníssimas partículas, uma laranja no centro de um gigantesco campo de futebol. O universo, no frigir dos ovos, é mais de 99,9999% de espaço vazio. Afinal, no principio, o grão de mostarda, átomo primordial, cabia na cabeça de um alfinete, mas pesava mais que bilhões de sois.
Falando em BIOS, que anteriormente referida como o Sistema Básico de Entrada e Saída, quero também falar de Bios, como vida biológica. Qual a principal coisa que deve existir para que haja vida? Para responder isso vamos definir vida.
Vida, conforme aprendemos na escola, de um modo geral, precisa exibir todos os seguintes fenômenos pelo menos uma vez durante a sua existência: Desenvolvimento: passagem por várias etapas distintas e seqüenciais, que vão da concepção à morte. Crescimento: absorção e reorganização cumulativa de matéria oriunda do meio; com excreção dos excessos e dos produtos "indesejados". Movimento: em meio interno (dinâmica celular), acompanhada ou não de locomoção no ambiente. Reprodução: capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria. Resposta a estímulos: capacidade de "sentir" e avaliar as propriedades do ambiente e de agir seletivamente em resposta às possíveis mudanças em tais condições. Evolução: capacidade das sucessivas gerações transformarem-se gradualmente e de adaptarem-se ao meio.
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Fim da mostra de meu primeiro livro... Podes reproduzir estes capítulos onde quiseres, mas lembre-se de citar o autor - Rodrigo Lima – http://seguidoresdocaminhoeterno.blogspot.com.b)
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Curioso para saber o final... Você já sabe... Mas ainda não lembra!!! Aguarde... Em breve numa livraria perto de você e na internet para baixar gratuitamente em MOBI, PDF e Epub... Espere, vai valer a pena... Enquanto isso, espalhe a mensagem!
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